Às vésperas da definição do adversário na finalíssima, Demétrius avalia o trabalho que credencia Bauru ao título.

17/05/2016

    Menos de 8 meses após chegar na Cidade sem Limites, o técnico Demétrius Ferracciú conseguiu atingir o objetivo que a diretoria esperava. Com a vitória inquestionável sobre Brasília, por três a zero, a equipe bauruense volta a decisão do Novo Basquete Brasil. O adversário sairá do confronto entre Flamengo e Mogi, que medem forças no quinto e decisivo jogo, que será realizado essa noite, no Rio de Janeiro.

 

    O treinador, apesar de novo (42 anos), acumula muita experiência no mundo da bola laranja. Sua ligação com o basquete começa muito antes de exercer função técnica. Demétrius deu os primeiros passos em Bauru, na Luso, mas foi formado na tradicional escola francana, e na capital do basquete foi campeão nacional em três oportunidades. Os títulos o conduziram ao Vasco da Gama, onde sagrou-se vice campeão mundial em 1999, e também a seleção brasileira, com diversas convocações e títulos.

 

    Ao término da vitoriosa carreira, assumiu o comando de Limeira, e no início do seu trabalho, em 2010, conquistou seu primeiro troféu, de Campeão Paulista. Demétrius permaneceu no clube até a temporada 2013/2014, quando assumiu o Minas, que tinha um projeto bem diferente. No Minas trabalhou na formação da equipe, que apesar de jovem tinha muito potencial. Os resultados logo vieram. Um inédito quinto lugar na fase de classificação do NBB7, e, em sua despedida da equipe, o campeonato estadual.

 

    Bauru e Demétrius sonham com o inédito troféu do NBB / Imagem original: Caio Casagrande

 

     Os bons resultados fizeram com que Demétrius a assumisse a gabaritada equipe do Bauru. E, o treinador, que busca refúgio no chocolate para conter a ansiedade, bateu um papo conosco falando de sua trajetória a frente da equipe, e a expectativa para a final.

 

 

 

FALA PROFESSOR

 

Você chegou à Bauru pegando muitos torcedores e até a imprensa de surpresa, e com uma missão até certo ponto embaraçosa. Modificar, ou aperfeiçoar, a forma de produção ofensiva da equipe no decorrer da temporada. Qual foi o foco, ou planejamento, que você traçou para em alguns meses conduzir a equipe a mais uma decisão do NBB?

 

O desafio sempre existe, e acho que foi uma grande oportunidade para poder crescer, tanto pessoalmente, quanto profissionalmente, e esse foi um dos motivos pelos quais eu aceitei o desafio. Na verdade, eu não vim para mudar uma característica, talvez eu vim para acrescentar algumas outras, e fazer com que a equipe entendesse as opções que tinha ofensivamente, e não ficar limitado a essa característica que possui, de bolas de três pontos. Então, nosso time continua sendo o melhor ofensivamente, mas o mais importante é ver como são criadas as opções de ataque, como são criadas as bolas de três, as bolas dentro do garrafão. Hoje nós temos um leque com variações que nos deixa confiantes para poder decidir em qualquer situação, tanto em bolas de três, quanto em bola de dois.

 

Após um belo trabalho à frente do Minas, você desembarcou em Bauru, com um cenário bem diferente. Minas era uma equipe jovem, de muito potencial, mas que tem um planejamento a médio prazo, já o Bauru, tem no elenco jogadores experientes e que estão acostumados a brigar por títulos. Qual é a maior diferença que você, como treinador, enxerga no comparativo dos trabalhos?

 

Os jovens tem como foco a busca por um espaço dentro do basquete, já um elenco experiente busca a manutenção de tudo aquilo que já conquistou, de histórias, conquistas, então, acho que foi muito produtivo pra mim, trabalhar com dois estilos de equipe. No Minas foi um belo trabalho, acabamos surpreendente todo mundo em relação ao campeonato, com jogadores mostrando uma disposição muito grande, com vigor físico; e já aqui em Bauru, são jogadores experientes que conseguem assimilar bem uma filosofia nova em relação a algumas mudanças que propusemos em relação ao trabalho passado, e isso facilita, por que é muito bom poder trabalhar com jogadores que tem ambição de ganhar títulos e mais títulos.

 

Apesar da experiência local, com cinco edições de NBB na bagagem, quanto o fato de ser assistente técnico da seleção brasileira, tendo trabalhado com peças da equipe, o ajudou na ambientação?

 

Isso facilita para os dois lados, já que os jogadores sabem das minhas características e da minha personalidade como técnico, e a mim, pelo fato de saber como eles se comportam no dia a dia de treinamento. São jogadores inteligentes, que você sabe que pode dar orientações e trabalhos táticos, por que são jogadores que assimilam bem, e isso engrandece a equipe pelo fato de você ter boas opções defensivas, ofensivas. O nosso maior desafio é manter a manutenção da busca pela excelência, que acabou nos colocando na final, e nos possibilita usar tudo o que trabalhamos ao longo da temporada.

 

Você teve uma baixa importante nos últimos meses. A ausência de Fischer, um dos principais armadores do Brasil, no Final Four da LDA, e reta final de NBB, acabou ligando o sinal de alerta. Qual foi o ajuste que você teve de fazer para manter o nível de excelência?

 

Foi uma perda muito grande, mas a equipe com o tempo disponível para treinar, soube assimilar, mesmo sem a característica de jogo do Ricardo. O Paulinho assumiu a posição e devido a sua experiência, pode entrar fortalecido, para em um momento desse, ele que tem condição, assumir essa função. Nos dois playoffs (diante do Pinheiros e do Brasília) ele foi muito bem, a equipe aumentou a pontuação jogando mais em transição, que é uma das características do Paulinho, mas o mais importante foi a confiança que ele sentiu, que o grupo, e a comissão técnica, passou para ele através de conversas. Ele demonstrou em quadra, o grande jogador que é, e esperamos que ele mantenha o nível na final.

 

Depois de bater na trave na temporada passada, a equipe chega mais inteira nessa temporada, com grande crescimento na pós temporada. Chegou a vez de Bauru e Demétrius, juntos, ganharem o primeiro NBB?

 

A gente espera que sim, por que chegamos muito confiantes para essa final. Nós estamos em uma crescente em uma hora importante da competição, que é a hora de decisão, dos playoffs. Após duas séries consistentes, diante dois grandes adversários, chegamos fortalecidos à final, e esperamos ser coroados com um título, que desde o começo, foi nosso objetivo.

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