As virtudes do novo líder

27/01/2017

   Donos das campanhas mais regulares do NBB9, Flamengo e Brasília travaram desde o início da competição, uma briga acirrada pela liderança. Depois de muita perseguição, enfim os Lobos conseguiram tomar a ponta da tabela de classificação, ao bater, na noite de ontem (26), o Caxias, no sul do país.

 

   Seria chover no molhado analisar a competência técnica da equipe de Bruno Savignani, afinal, que treinador não gostaria de ter como opção Fúlvio, Deryk, Giovannoni, Lucas Mariano? Além desses talentosos jogadores, a equipe da capital federal ainda conta com jogadores táticos, inteligentes e defensivos, recheando ainda mais o elenco do comandante candango.

 

 

Motorzinho da equipe, Fúlvio chegou a se lesionar, mas voltou antes do tempo previsto (Brito Júnior).

 

   Só que o Brasília não é a única equipe bem servida. Além do agora vice-líder Flamengo, os outros membros do G4, carregam boas opções dentro do elenco. Por exemplo, os finalistas das últimas duas edições, Flamengo e Bauru, tem inúmeros jogadores com passagens pela seleção brasileira, seja ela adulta, ou de base, não é mesmo Marquinhos, Marcelinho, Olivinha, JP, Fischer, Valtinho, Alex, Gegê, Gui, Leo Meindl, Jefferson, Shilton e Hettsheimeir?

 

Rivais no NBB, Alex e Marquinhos defenderam a seleção brasileira na Olimpíada do Rio de Janeiro (Luiz Pires).

 

   Com uma vitrine um pouco menos mas com muito brilho, o Vitória vem surpreendendo. O rubronegro foi totalmente reformulado para essa temporada. Sob regência do competente Régis Marrelli, a equipe foi se encontrando enquanto conjunto, e ainda conta com o brilho dos americanos Dawkins e Hayes (já adaptados ao basquete brasileiro), além de Key, também da Terra do Tio Sam.

 

   Mas, com os rivais cheios de opções e valores positivos, como o Brasília conseguiu chegar na liderança da competição? Pois bem, além dos atributos mencionados acima, pesa a favor dos Lobos o belo trabalho de montagem feito pela comissão e diretoria, além do staff da equipe. Ao analisarmos os números das quatro equipes, percebemos que a montagem do elenco, somada ao trabalho de condicionamento do departamento médico candango, tem refletido dentro de quadra.

 

   Separamos alguns números que explicam a constância dos comandados de Bruno Savignani dentro da competição. Queremos deixar claro que pegamos como referência apenas jogadores dessas equipes que atuaram ao menos dez minutos em pelo menos 10 partidas.

 

   Pois bem, vamos começar com o pentacampeão Flamengo, que acaba de perder a liderança. A equipe de Neto vem sofrendo com lesões nessa temporada. Seus dois armadores adultos, Fischer e Humberto, chegaram ao rubronegro essa temporada, mas, até aqui, passaram mais tempo no estaleiro do que dentro de quadra, fazendo com que a equipe perdesse muito na articulação e na rotação. Dessa forma, a equipe, que sem os armadores tem média de 33 anos, vem se desgastando fisicamente, e perdendo rendimento, tanto dentro das partidas, quanto nos últimos jogos, onde venceu apenas um dos quatro últimos. A medida foi dar mais tempo de quadra a Pedrinho e Lelé, mas ainda assim Marquinhos e Marcelinho (que também está se recuperando de lesão), tem atuado mais de 30 minutos por jogo. Ao final da partida contra o Bauru, em entrevista ao SporTV, Marquinhos confirmou que a equipe, em virtude dos desfalques e maratona de jogos, não tem conseguido colocar a intensidade desejada.

 

   Quem também vem sofrendo com as baixas médicas, é o Bauru. A equipe paulista, para se ter uma ideia, atuou completa somente na estreia do NBB, quando perdeu para o Flamengo após duas prorrogações, 100 a 97. De lá pra cá, Alex, Leo Meindl e Valtinho ficaram de molho por algum tempo, fazendo com que Demétrius tivesse de se reinventar. Agora, o treinador terá mais um desafio pela frente, assimilar a perda de Hettsheimeir, que voltou ao basquete espanhol. Tanta baixas fizeram com que apenas sete jogadores pudessem contribuir efetivamente com a equipe, que com média de 29 anos, sofre com a baixa rotatividade. Além de Hettsheimeir, Valtinho e Gegê tem atuado por mais de trinta minutos em média.

 

 

   O Vitória, por sua vez, não tem sofrido muito com os problemas de administração física dos jogadores. Livres de lesões e contando com jogadores de idades semelhantes, na casa dos 29 anos, Régis tem conseguido equilibrar muito bem os minutos em quadra de cada um deles. Com oito adultos à disposição, apenas o regente Dawkins tem maior tempo de quadra, com os 30 minutos. Essa boa distribuição de tempo aliada à média geral de idade faz com que a equipe aguente bem o ritmo do jogo, chegando sempre forte nos momentos de definição do confronto.

 

 Com passagens por São José e Palmeiras, Régis organizou muito bem sua equipe (Reprodução).

 

   Bom, já vimos o que cada equipe tem enfrentado nesse NBB, e agora chegou a vez do novo líder, o Brasília. A equipe de Bruno, que possui idade média de 29 anos, conta hoje com nove jogadores adultos, que já disputaram o NBB anteriormente e hoje fazem parte do elenco candango. Dentro desse grupo, figuram atletas mais experientes como Giovannoni e Fúlvio, como jóias que já viraram realidade, caso de Deryk e Lucas Mariano. Essas vastas opções, permitem que o treinador, sem deixar a produção da equipe cair, consiga rotacionar o elenco, para além de preservar os atletas de lesão, mantê-los em quadra quando os mesmos estiverem rendendo. Hoje, nenhum atleta dos Lobos acumula trinta minutos em quadra. Formando o garrafão, Lucas Mariano e Giovannoni, atuam, em média, 29 minutos.

 

Bruno sabe que tem muitas opções dentro do elenco, como Jefferson Campos, que tem entrado bem nas partidas (Geremias Orlandi).

 

   É justamente a junção da qualidade técnica, com a parte física, que tem feito o Brasília crescer dentro da competição. Aos poucos, a equipe que manteve e base e buscou reforços pontuais, vai encorpando e ganhando respaldo para seguir em busca de objetivos maiores.

 

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