Com a palavra, Helinho...

   Ele iniciou a carreira dentro do basquete com uma pressão proporcional à referência que tinha dentro de casa. Filho de Hélio Rubens, um dos ícones do basquete francano e brasileiro, Helinho mostrou ao longo de sua carreira que fez muito bem a lição de casa, sendo destaque por onde passou.

 

 Pai e filho escreveram bonita história no basquetebol francano (Newton Nogueira).

 

   Depois de tirar de letra o desafio dentro das quadra, Helinho resolveu passar para o outro lado, virou treinador, como o pai. Depois de muita preparação, assumiu a equipe do coração, o Franca, nesse começo de temporada, e menos de um ano após a estreia, vem mostrando bons resultados à frente da jovem equipe.

 

   Em um bate papo conosco, o eterno camisa 10 francano comentou sobre o desempenho de sua equipe, sobre os jovens valores que possui no elenco, a preparação para a sequência do campeonato e também não se esquivou sobre a polêmica da CBB. 

 

 

ENTREVISTA COMPLETA

 

 

Depois de um belo Campeonato Paulista, sua equipe deu uma oscilada no começo do NBB, mas já figura na parte de cima da tabela. Qual o segredo dessa equipe, que vem surpreendendo no campeonato?

 

Eles estão experimentando esse bom momento devido ao que eles plantaram. O Antônio, por exemplo, está lesionado, mas chegou uma hora antes do treino. Nada é por acaso. Os jovens, com esse envolvimento e o talento, viraram uma página na carreira e isso não vai parar por aqui, porque eles seguem empenhados, dando sempre o seu melhor.

 

Hoje Franca se destaca pelo aspecto coletivo, com muitos jogadores contribuindo efetivamente no ataque. Seria essa mais uma virtude de sua equipe?

 

Hoje nosso time é um dos mais difíceis de ser marcado. O adversário nunca sabe quem vai decidir o jogo nas bolas finais, porque hoje temos um volume e uma distribuição boa de jogo. Claro que alguns acabam se destacando mais, mas eu prezo que minha equipe entenda que cada um jogue pelo seu companheiro.

 

A equipe está mesclando a experiência de alguns atletas, com jovens talentos, como Alexey, o Coelho, dentre outros. Essas promessas têm feito um grande campeonato, mas há algum receio ou alguma preparação específica para que eles, devido a baixa idade, não sintam o peso dos playoffs?

 

Tanto o Alexey, quanto o Coelho, assim como outros jogadores, eles vem experimentando um crescimento muito grande, mas o mais importante para nós é que a equipe consiga manter um equilíbrio em relação à todas as estatísticas, seja em assistências, rebotes, bolas recuperadas. Então, esse é o ponto mais importante, fazer com que a equipe alcance essa média, especialmente em relação às assistências, que permitem um jogo coletivo. Esses jovens estão demonstrando uma personalidade enorme dentro do campeonato. O Alexey, por exemplo, está disputando seu primeiro NBB, mas eu tenho certeza que nos playoffs é hora de colocar mais foco ainda, é concentrar um pouco mais naquilo tem que ser feito para que a gente possa ditar o ritmo através desses dois jogadores que tem mais a bola nas mãos. Então, não tenho preocupação, pois sei que eles vão manter o nível que estão mostrando nos treinos e nos jogos.

 

 Muitos dos jovens que compõem o elenco adulto, foram campeões da LDB (Reprodução).

 

Você perdeu alguns jogadores por lesão, como o João Pedro, que estava em uma ascensão, alcançando números expressivos nas últimas partidas. Qual o impacto de sua ausência?

 

Ele é um jogador muito importante para a equipe. Ele começou como titular em vários jogos e em outros ajudou muito na rotação. Além disso, durante a temporada conseguiu crescer muito na parte defensiva. Por isso tudo é uma grande perda para nós e esperamos que ele retorne logo e não perca tanto na parte física (até porque ele está trabalhando fisicamente), para que possa ser reintegrado e volte a contribuir com a equipe.

 

Da última partida até o próximo jogo serão 14 dias de preparação, quais ajustes você acha mais necessário para a equipe, a parte física, a parte técnica?

 

Estamos colocando foco em cada detalhe, então fizemos e vamos fazer trabalhos físicos, táticos e técnicos educativos. Tudo isso para que a equipe possa continuar crescendo mesmo com essa paralisação de duas semanas.

 

A próxima partida é contra o Pinheiros, uma equipe que sua equipe ainda não venceu na temporada. Foram três derrotas em três jogos, e a equipe chega para esse jogo com média de 78 pontos, contra 84 deles. O que você está preparando para conter o jogo de pick and roll deles, que explora muito bem os americanos que possuem no elenco?

 

Eles tem um jogo muito forte transição também. Assim, o nosso foco sempre foi e sempre vai ser na defesa. Com uma defesa forte, consistente, de ajuda, vamos tentar minimizar as características positivas dele ou até anula-las, para que a gente possa vencê-los. A equipe do Pinheiros ganhou vários jogos importantes, sabemos do poder de ataque deles mas eu acho que nós estamos preparados para fazer uma grande partida e buscar a vitória.

 

A equipe vive um grande momento. Além de vir de quatro vitória consecutivas, ganhou oito dos últimos dez confrontos. Qual a importância desse crescimento nessa reta final, onde restam dez jogos, sendo seis deles em casa?

 

Para muitos, esses resultados foram surpreendentes mas eu acho que é fruto de muito trabalho, muito empenho e comprometimento do time. Eu falo sempre que nossa principal missão é atuar de uma forma, que quem vem aqui assistir, no outro jogo vai voltar, independentemente da vitória ou da derrota. Agora, com essa sequência em casa, temos de contar com o apoio da torcida, porque, sem dúvida nenhuma, ao lado de nosso torcedor, os objetivos tornam-se mais viáveis. 

 

Diante dessa realidade atual, qual a expectativa para o restante da temporada? Vocês acreditam na possibilidade de aproveitar essa sequência em casa para beliscar uma vaguinha no G4?

 

O campeonato está muito equilibrado, então tudo pode acontecer. Hoje o G4 tornou-se uma grande motivação para nós. É claro que é difícil, até porque tem muitas equipes qualificadas, mas eu fico muito feliz com o que temos feito, porque, no começo da temporada, muitos nos colocaram como uma equipe de meio de tabela. Podemos até terminar nessa faixa, mas quando as coisas começam a acontecer, você mostra que está no caminho certo e que pode sim, chegar.

 

Hoje o basquete nacional passa por uma profunda crise. Diante das inúmeras falhas da CBB, a FIBA puniu a federação, que acabou não tomando posição e com isso, as medidas acabaram afetando alguns clubes diretamente, mas de forma geral, abalou todos os demais. Como você está vendo a situação do basquete nacional?

 

Eu acho que o basquete passa por um momento muito importante onde a liga tá muito bem estruturada. Claro que tem coisas para melhorar mas a liga tá mostrando diariamente tudo aquilo que pode trazer de benefício, tanto para os clubes, quanto para os jogadores. É óbvio que a gestão da CBB está falida e precisa ser substituída por uma gestão séria, focada naquilo que precisa ser feito e valorizado, como a seleção brasileira.

 

Após sediar as Olimpíadas, Brasil não pode disputar competições internacionais organizadas pela FIBA (FIBA).

 

Você acha que os clubes precisam se unir mais em prol do basquete nacional?

 

A Liga Nacional está bem alinhada. Se eu não me engano, 10 clubes diferentes que compõem o NBB estão representados na Liga. Agora, tudo que aconteceu tem relação direta com a CBB. O estatuto precisa ser modificado, precisam ouvir mais os clubes, os clubes precisam ter voz ativa. Não pode só os presidentes de confederações terem direito ao voto. O basquete precisa ser feito por quem respira basquete, como os clubes, as associações dos jogadores, técnicos.

 

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