Em jogo espetacular e polêmico, Brasília bate Bauru

25/03/2017

   Poderíamos falar horas e horas sobre esse belo jogo de basquete. Poderíamos. Mas mais uma vez, a arbitragem, que até então apitava de forma segura, acabou definindo o duelo. Que fique claro que Brasília teve seus méritos, até porque liderou boa parte do confronto, mas Locatelli foi o nome do jogo.

 

   Com uma decisão muito equivocada, puniu Alex com falta antidesportiva, quando o relógio apontava menos de 30 segundos para o final do jogo, e os Lobos venciam por 90 a 89. O jogo estava totalmente aberto, com possibilidade de vitória para ambos os clubes. A medida tirou o ala do jogo, enervou Bauru, que cometeu técnica, e acabou saindo de quadra derrotado. Após a presepada, o árbitro deixou a quadra às pressas, ciente de que havia estragado o espetáculo.

 

   O que mais preocupa, é a frequência com que erros graves são cometidos, clubes são prejudicados (direta ou indiretamente) e nada acontece. O resultado dessa tarde, não diz respeito apenas a Brasília e Bauru. Há também o interesse francano, e o emparelhamento dos playoffs. Mas o que esperar se nem na final, com Chiconato manchando uma bela série entre Flamengo e Bauru, houve uma punição justa? Bom, vamos voltar a falar de coisa boa!

 

   E o que foi esse jogo, ein? Rivais na busca pelo G4 da competição, Brasília e Bauru mostraram o porque estão brigando vitória a vitória pela vaga antecipada às quartas. Com muitas trocas de liderança, variações táticas e aparições importantes de atletas do banco, candangos e bauruenses protagonizaram um dos melhores jogos dessa nona edição do NBB.

 

   Fica até difícil apontar tal fator como fundamental para a vitória dos mandantes, mas é preciso destacar o maior volume de jogo proveniente dos rebotes ofensivos (17). Muitos desses rebotes foram assegurados por Lucas Mariano, cestinha com 26 pontos. Além dele, Fúlvio com 11 assistências e Jefferson, com 13 pontos, foram importantes para o triunfo.

 

 Lucas Mariano foi o grande nome da partida (Brito Junior).

 

   Pelo lado da equipe de Demétrius, destaque novamente para a dupla que esteve presente no Jogo das Estrelas. Jefferson e Alex, combinando para 47 pontos, eram as principais armas do Dragão, que ainda viu Jaú responder bem na última parcial. O jovem, que terminou o duelo com seis pontos e quatro sobras, anulou o trabalho interno de Lucas Mariano.

 

   Com o resultado positivo, Brasília fica a um passo de assegurar a vaga dentro do G4. Para não depender de resultados, precisa vencer uma partida no Rio de Janeiro, onde encerra a primeira fase diante do Macaé e do Flamengo. Bauru, que ficaria muito próximo da classificação com um triunfo, agora vê sua situação ficar aberta. Para assegurar a vaga com suas próprias forças, basta fazer a lição de casa contra o Mogi e Campo Mourão. Caso contrário, terá de torcer para que Franca some, no máximo, uma vitória a mais do que Bauru conquistar nesses últimos jogos.

 

O JOGO

 

   Como esperado, a partida começou de forma muito equilibrada. Com forte poder de fogo dentro do garrafão, as equipes procuraram seus alas-pivôs, Giovannoni e Jefferson. Mas como as defesas já redobravam a atenção neles, seria preciso mesclar as ações ofensivas. Quem acabou encontrando uma variação primeiro foi Bauru, que converteu duas bolas de três, com Gege e Alex. A resposta candanga veio através do trabalho interno, fortalecido em razão de um quinteto mais alto e também de Lucas Mariano, que levava vantagem nos dois lados da quadra. Dessa forma, os mandantes passaram a frente, mas sempre observados de perto por Bauru, que era liderado por Alex e Jefferson, tanto nos rebotes, quanto na pontuação. Essa perseguição permitiu que o Dragão terminassem o período na frente após contragolpe de Gui e bola de Valtinho, no estouro do cronômetro, 28 a 24.

 

   Mas a vantagem obtida por Bauru acabou caindo por terra logo no início do segundo quarto, quando a equipe acabou cometendo erros defensivos que foram bem aproveitados por Deryk e Jefferson, no perímetro. Ciente da superioridade do adversário na parcial, especialmente na transição, Alex chamou a responsabilidade e buscou as infiltrações, sua jogada característica. A medida deu tranquilidade aos paulistas, que voltaram a se encontrar enquanto equipe, sendo efetivo no ataque. Explorando o pick-and-roll com Shilton, Valtinho distribuiu assistências para Gui, Leo Meindl e Jefferson (duas vezes), anotarem bola do perímetro. Só que os Lobos não baixaram a cabeça, e, com Alex Oliveira em grande momento, devolveram na mesma moeda, para retomar a ponta ao final do primeiro tempo, 48 a 47.

 

   Na volta para a segunda etapa, Brasília mostrou mais intensidade para abrir uma pequena mas importante margem no marcador. Atento as rebotes, tanto defensivos, quanto ofensivos, conseguia ter mais volume de jogo, bem aproveitado por Jefferson Campos e Lucas Mariano. Assim como no período anterior, quando sua equipe também encontrava dificuldades para criar as jogadas, Alex apareceu, e com um repertório interessante de jogadas, mantinha o Bauru no jogo. Aos poucos, o Dragão melhorou ofensivamente, mas qualquer tentativa de reação parava na má partida defensiva da equipe, que continuava a permitir rebotes ofensivos, e que também não encontrava uma maneira de tirar Lucas Mariano de sua zona de conforto. Depois de algumas trocas de cestas, o Brasília acabou encaixando dois contragolpes que lhe renderam uma gordura no marcador, 71 a 65.

 

 Alex puxou a reação bauruense, que foi interrompida por grave erro de arbitragem (Brito Junior).

 

   No começo da última etapa, os rivais ampliaram ainda mais seu leque de jogadas, dificultando qualquer trabalho defensivo diante da boa articulação de Fúlvio, para os mandantes, e Alex, para os visitantes. O cenário começou a mudar quando Jaú entrou no quinteto bauruense. O jovem jogador, com sua altura e mobilidade, conseguiu proteger melhor o garrafão, dando possibilidade da equipe atuar em transição. Em parceria com Alex, o ala-pivô castigou a defesa candanga, recuperando a dianteira para sua equipe. Mas se Bauru tinha Alex, Brasília tinha Giovannoni. O jogador, que anunciou nessa semana a aposentadoria da seleção, converteu bolas importantes, que deram a liderança de volta aos Lobos. O jogo era espetacular, mas Locatelli tratou de estragá-lo. O árbitro puniu Bauru com uma falta antidesportiva seguida de técnica, e os lances foram decisivos para a definição da partida, que acabou com vitória dos mandantes, por 92 a 89, mas de uma forma com que nenhum amante gostaria de ver.

 

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