Pinheiros vence Flamengo e faz história

06/05/2017

  Tem coisas que só o esporte propicia, não é mesmo? Sabe aquelas histórias marcantes que se fossem criadas não seriam tão fortes? Pois bem, hoje o amante do basquete viu mais uma história ser construída, uma história de superação, de operários. 

  O Pinheiros, oitavo colocado, chegou para as quartas de final com moral, mas desgastado, já que havia batido o tradicional Vasco, por 3 a 2. A missão era pra lá de complicada: o pentacampeão Flamengo, que vinha inteiro fisicamente, já que havia ganhado folga nas oitavas, devido à bela campanha na temporada regular.

  Para piorar, a equipe de José Neto iniciou a série vencendo por 2 a 0. O cenário apontava um 3 a 0 duro, já que nos jogos anteriores, o rubro-negro soube fechar o jogo, que poderia pender para qualquer lado. Mas a equipe paulista não se entregou, foi buscar o empate, e chegou para o duelo decisivo com a confiança lá em cima.

 

 Bennett e companhia comemoram a classificação histórica (João Pires).


  Essa noite, o jogo também ficou marcado pelo equilíbrio, troca de lideranças. Mas, quis o destino que a equipe mais engajada saísse de quadra com a classificação. Com o trunfo por 78 a 75, o Pinheiros avança à semifinal, igualando ao menos, suas melhores campanhas, no NBB3 e 4, quando caiu para o Brasília, campeão nas duas oportunidades. 

  Não sabemos até aonde pode chegar esse Pinheiros, essa equipe colaborativa, aguerrida, que entende a necessidade da entrega para superar condições adversas. O certo é que a equipe já tem confronto contra o Bauru, na segunda, na capital paulista, às 19:30.

 

  A queda não é representativa apenas para o Flamengo, que fica de fora das semifinais pela primeira vez, mas também para o basquete brasileiro, que nesse ano terá um campeão inédito. Vale lembrar que somente Flamengo (5 vezes) e Brasília (3 vezes) faturaram o NBB.

 

O JOGO

 

  Com mais velocidade e trabalho de pernas, o Pinheiros foi encontrando espaços na defesa rubro-negra, que abusava das faltas para impedir as infiltrações. Assim, em menos de dois minutos, a equipe da casa havia estourado o limite coletivo, e o rival, na linha do lance livre, assumiu o controle do jogo. Mas não durou muito para o Flamengo se encontrar. Com liberdade, Olivinha converteu três bolas praticamente consecutivas do perímetro, dando a liderança ao clube da Gávea. No final, Bennett e Neto descontaram, mantendo os paulistas próximos no marcador, 23 a 21.

 

  Na volta para o segundo quarto, a partida seguiu intensa. Com velocidade na transição, Flamengo e Pinheiros levavam vantagem sobre as defesas, mantendo o equilíbrio no marcador. A equipe da casa até teve oportunidade de desgarrar um pouquinho, principalmente após falta antidesportiva de Holloway em Marquinhos, mas os paulistas responderam em seguida, em bola de três pontos de Neto. O placar apertado fez com que os rivais apostassem em jogadas de segurança. Enquanto o rubro-negro levava vantagem no pick-and-roll entre Fischer e Mineiro, o visitante respondia em infiltrações de Holloway. Dessa forma, ao final do primeiro, o placar apontava 44 a 41 para os mandantes.

 

 Holloway apareceu como válvula de escape nos momentos de dificuldade (João Pires).

 

  No início da etapa complementar, o Flamengo sofreu uma baixa momentânea considerável. Sem Marquinhos, que foi para o banco após sua terceira falta, a equipe de José Neto sentiu a ausência de seu líder. Com pouca movimentação e organização, acabou dependendo das jogadas individuais de Marcelinho. Do outro lado, o Pinheiros trabalhava melhor, buscando sempre as bolas de segurança, com Renan e Bennett, fator decisivo para a virada. Para tentar modificar o cenário sem queimar um tempo, Neto trouxe Olivinha de volta à quadra. O ala-pivô, cestinha da partida, bem que tentou diminuir o prejuízo em jogadas de garra e talento, marca registrada, mas o problema dos mandantes era na defesa. Sem neutralizar o adversário, não conseguia se aproximar no marcador, 65 a 61.

 

  Nervoso, o Flamengo não conseguia fazer jus à bela campanha na fase regular, e focando na arbitragem, viu a situação ficar muito delicada no início do último período, quando José Neto foi punido com a segunda falta técnica. O lance permitiu que o clube paulista colocasse a diferença em nove pontos, maior vantagem do jogo. Sem muito tempo para assimilar o que havia passado, o rubro-negro foi em busca da recuperação. Com Marquinhos assumindo a responsabilidade, a equipe foi cortando rapidamente a diferença, que caiu para apenas um ponto após boa sequência de Olivinha.

 

 Olivinha bem que tentou mas equipe não mostrou o mesmo brilho da fase regular (João Pires).

 

  Mas a recuperação parou por ali. Aguerrido, o Pinheiros, mesmo pecando em alguns ataques, dominava os rebotes, e de tanto criar oportunidades, voltou a pontuar, trazendo a diferença para três pontos, em jogada de Holloway para Bennett. O clube da Gávea respondeu com Mineiro, mas Renan devolveu na mesma moeda, obrigando os mandantes a converter bola do perímetro. Em um único só ataque, o Fla teve três oportunidades, com Marcelinho, Marquinhos e Ricardo Fischer, mas todos falharam, para alegria dos paulistas e desespero de sua fanática torcida, 78 a 75.

 

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