Qual trabalho será coroado?

26/05/2017

  Tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos. A frase pode parecer ambígua, e até certo ponto um clichê, já que temos muitas semelhanças e diferenças com o nosso próximo, mas ela não poderia resumir melhor a personalidade e as virtudes de Demétrius Ferracciú e Gustavo de Conti, finalistas do NBB9.

 

  O comandante do Dragão faz o estilo mais centrado, respeitoso e calculista, mas não menos vibrante. O ex-armador da seleção brasileira sabe muito bem dosar equilíbrio e emoção em suas conversas com os jogadores, passando tranquilidade mas também instigando seu elenco, como fez recentemente contra o Pinheiros.

 

  Já Gustavinho é dono de um gênio forte e, até por isso, vira e mexe está envolvido em polêmicas. É difícil julgar o temperamento do treinador, até porque, ao lado de Rinaldo, da Liga Sorocabana, é um dos que mais se envolve com o projeto de seu time, ficando à frente de outros cargos, vestindo a camisa com muita energia.

 

  Assim, cada um com seu jeitinho, são, sem tirar os méritos dos jogadores, os grandes personagens dessa decisão histórica que terá pela primeira vez um campeão paulista, depois da dinastia dividida entre Flamengo e Brasília, detentores de cinco e três troféus respectivamente.

 

  Embora jovens, Demétrius e Gustavinho, de 43 e 37 anos, conseguiram feitos notáveis nessa curta mas bem sucedida carreira de técnico. Não à toa, fizeram parte da comissão técnica brasileira nos últimos anos, quando o país teve grandes desafios como as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. Se o desempenho da seleção ficou aquém do esperado, nessa temporada eles surpreenderam à todos e levaram suas equipes ao ápice do basquete nacional.

 

Ao lado de José Neto, Dema e Gustavinho formaram trio de auxiliares técnicos de Rubén Magnano (Karime Xavier).

 

  Vice-campeão na temporada passada com o próprio Bauru, Demétrius perdeu o patrocinador máster de sua equipe e, com isso, toda a espinha dorsal, composta por Fischer, Robert Day e Hettsheimeir (este último no meio da temporada). Qualquer treinador sentiria o baque e tiraria a responsabilidade de cima de sua equipe, mas mesmo com os desfalques a palavra de ordem no interior paulista era brigar por títulos.

 

  O desafio parecia bem indigesto e até por isso cada degrau alcançado por meio do sólido sistema defensivo implementado por Dema, era comemorado com muita vibração pelo experiente elenco bauruense, que conta com nomes como Alex, Jefferson, Valtinho e Shilton. Shilton, por sinal, merece toda o destaque necessário por ter sido o ponto de equilíbrio no sistema do Dragão.

 

Mentor da melhor defesa do campeonato, Dema dá mais liberdade aos seus jogadores (Sérgio Domingues).

 

  Se a torcida bauruense pode ficar orgulhosa do comandante que tem, o mesmo vale para a equipe da capital. Mesmo com seu estilo sargentão, Gustavinho serviu como um pai para os jovens jogadores do Paulistano, principalmente nos momentos de maior dificuldade na temporada, quando a equipe precisou reverter a vantagem do Cearense e do Franca, no Paulo Sarasate e no Pedrocão.

 

  Claro que a pressão é menor para Gustavinho e companhia, mas a forma com que ele passou tranquilidade e organização tática para os meninos fez com que eles pudessem ter a liberdade necessária para demonstrar todo seu potencial em quadra. Assim, Georginho, Lucas Dias, Pecos, e Yago foram se tornando os líderes da equipe.

 

 Gustavinho tem um estilo mais autoritário (João Neto).

 

  Infelizmente apenas um deles será o campeão do NBB9, mas a verdade é que ambos podem olhar para trás com muito carinho, tendo a certeza que reinventaram suas equipes com um trabalho fantástico. Poderíamos listar outros trabalhos tão bons quanto, mas temos certeza que o troféu ficará em boas mãos...

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