Superação: a coroação do Dragão

19/06/2017

 

  17 de junho de 2016. O que era para ser uma sexta-feira tranquila e animada, deu lugar à um dia tenso em Bauru. Dias após assimilar a perda do NBB8 para o Flamengo, em uma decisão pra lá de polêmica, os torcedores da Cidade Sem Limites sofreram outro rude golpe. 

 

  Diante do cenário político-econômico do país, Rodrigo Paschoalotto, presidente da Paschoalotto Serviços Financeiros, decidiu reduzir o investimento na equipe do Bauru Basket, deixando à condição de patrocinador máster.

 

  A redução do aporte fez com que Bauru tivesse de readequar o seu projeto. Renovações, contratações e ambições estavam condicionadas à chegada de um novo parceiro. A nova diretoria fez tudo o que pôde, noites sem dormir, reuniões aqui e ali, mas a dificuldade acarretou na perda de peças importantes.

 

  No evento de apresentação da equipe, com o Campeonato Paulista já rolando, uma surpresa. Mas dessa vez agradável. A cerimônia que deveria ficar marcada apenas pela rotina de um início de nova temporada, deu lugar à um eufórico anúncio. Em um discurso emocionado, o presidente do Bauru, Robeto Fornazari, bradou: Bauru tinha conseguido um novo patrocinador máster.

 

Roberto Fornazari, Washington Cinel e Alex Garcia no anúncio do patrocínio máster (Aceituno Jr).

 

"Vinha chegando o dia de hoje e eu falava: Deus, bem que o acerto poderia acontecer na sexta, na apresentação. Quando o Evandro me leigou eu tive ir ao banheiro chorar e ligar pra minha esposa. Ganhamos um amigo, um parceiro e continuamos com o sonho vivo."

 

  O novo braço direito da diretoria bauruense, Washington Cinel, fez questão de marcar presença, e empolgado com a parceria, chegou até a prometer um acréscimo para a próxima temporada caso o Dragão beliscasse algum título: 

 

"Nós vamos manter a chama do basquete de Bauru acessa. A partir desse momento, o Gocil será patrocinador máster do basquete bauruense. Se neste anos formos campeões, já digo que está mantido o patrocínio para a próxima temporada com 50% de majoração."

 

  Com as coisas se acertando fora de quadra, Bauru passou a concentrar suas energias nos compromissos que teria pela frente ao longo da temporada. Assim, chegou a trazer Roy Booker, mas o americano não se adaptou. E somado à possibilidade de garimpar dois valores vindos de Rio Claro (Gui e Gegê), a diretoria não pensou duas vezes e abriu mão do gringo.

 

  Quando as coisas pareciam bem definidas pelo lado da Vila Pacífico, outra perda considerável freou os ânimos do torcedor. Rafael Hettsheimeir, principal jogador do campeonato até aquele momento, acertava seu desligamento para defender o Fuenlabrada, da Espanha. Com o prazo para as inscrições encerrado, Bauru não poderia ir ao mercado.

 

 Hettsheimeir deixou a equipe ao final do primeiro turno (Caio Casagrande).

 

  A partir daquele momento, Bauru precisava se reinventar se quisesse, ao menos, se manter no pelotão da frente. Foi então que Demétrius orquestrou um novo sistema de jogo, rapidamente assimilado pelos jogadores. Com foco na defesa e no desenho tático, a equipe do interior paulista superou as adversidades, brigando de igual pra igual com elencos montados à dedo.

 

  Acima de qualquer ajuste tático, Dema acredita que o fator preponderante nessa crescente bauruense partiu da consciência de cada um dentro do grupo, em prol de um objetivo ainda maior: 

 

"Todos os obstáculos que fomos superando, deu confiança para nós. A partir da saída do Rafa, os jogadores começaram a assumir a necessidade de cada um se doar um pouquinho mais. O técnico não se limita a parte tática. Pra mim a parte mais desafiadora de ser técnico, é ser gestor de pessoas, porque você precisa saber a hora de soltar um jogador, segurar um pouquinho."

 

Demétrius soube tirar o melhor de cada jogador em prol do Bauru Basket (FotoJump). 

 

  Assim, Bauru foi ganhando traços de campeão. Bem organizado, conseguiu aliar a disciplina tática com a liberdade concedida por Demétrius à seus jogadores. Unidos, chegaram muito bem nos playoffs, onde a equipe passou de azarão à favorito com a queda dos quatro integrantes do G4, logo nas quartas de final.

 

  Mas como em todo boa trama das nove, Bauru precisou provar seu valor mais uma vez. Depois de varrer o Macaé, nas oitavas, Bauru saiu atrás nas quartas de final, semifinal e final, para Brasília, Pinheiros e Paulistano, respectivamente.

 

  Mais uma vez a resposta bauruense veio através da união de seu elenco, que ao longo de toda temporada precisou comprovar seu valor. Com o brilho de Alex e Jefferson, a estrela de Leo Meindl, a garra de Shilton, a experiência de Valtinho, a maturidade de Gegê, e o conhecimento de causa de Gui e Jaú, Bauru escreveu de vez seu nome na história do Novo Basquete Brasil, exatamente um ano após o baque sofrido fora das quadras.

 

 Título do NBB coroa o belo trabalho desenvolvido em Bauru (FotoJump).

 

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