Guidetti: Um olhar para o futuro

27/07/2017

  A Confederação Brasileira finalmente anunciou o novo treinador da seleção brasileira de basquete, César Guidetti. O nome do jovem treinador pegou muitos de surpresa. Não que Guidetti não tenha competência para exercer a função, longe disso, fez bela campanha com o Pinheiros, levando a equipe, até então vista como coadjuvante, à semifinal, após eliminar o pentacampeão Flamengo dentro do Rio de Janeiro.

 

Aos 37 anos, Guidetti faz parte da nova geração de técnicos, que preza muito pelos estudos (Divulgação).

 

  Para entender melhor a escolha tomada pela CBB às vésperas da Copa América, que inicia dia 25 de agosto, é preciso entender que o basquete brasileiro vive um momento de reformulação, tanto estrutural, quanto humana.

 

  Depois de gestões que comprometeram o desenvolvimento do esporte, levando à rombos financeiros e esportivos, o Brasil acabou punido pela FIBA (órgão máximo do esporte mundial). Impedida de atuar em compromissos internacionais e afundada em dívidas, a entidade precisou se reinventar. Com uma nova administração, vem tirando leite de pedra para colocar a casa em ordem, mesmo que ainda falte muito.

 

 Guy tem feito o possível e o impossível para recolocar a CBB em ordem (Divulgação).

 

  Aos poucos os resultados vem aparecendo. A transparência, aliada ao profissionalismo de Guy Peixoto Jr e a cúpula de aliados, deu segurança à FIBA, que resolveu dar carta branca ao Brasil, revogando a sanção imposta pela entidade no final do ano passado (em novembro para ser mais preciso). Como via de mão dupla, a tranquilidade retornou à direção da CBB, que enfim pôde planejar o ciclo olímpico ciente de que teria um calendário internacional e tudo que vem junto no pacote (patrocinador, renda, incentivo)...

 

  Só que a reformulação se estende também às quadras. Com seus principais jogadores se encaminhando para os últimos anos de carreira, é preciso abrir os olhos para jovens talentos, algo que o Brasil tem lapidado muito bem, apesar deles logo partirem para centros mais atraentes, como a NBA e a Europa.

 

  O leque para escolha de técnicos jovens e com capacidade para trabalhar esse aspecto era enorme, inclusive dentro do próprio comando técnico, que contava com Gustavo de Conti e Demétrius Ferracciú como auxiliares técnicos de Magnano. Quem também chama a atenção é Helinho, comandante do Franca. Outros nomes de destaque também apareceram no radar, mas por trabalharem mais com equipes mais prontas, acabaram não sendo tão interessantes, casos de José Neto, Guerrinha e Régis Marrelli.

 

  Com a definição de César Guidetti e sua comissão, composta por Bruno Savignani, ex técnico do Brasília, e Felipe Santana, do Palmeiras, espera-se que a garotada tenha tempo e tranquilidade para desenvolver seu basquete, já que os grandes desafios do Brasil começam apenas em 2019, na Copa do Mundo da China. 

 

Nenhuma das partes se posicionou quanta a possibilidade de César seguir no comando do Pinheiros (Ricardo Bufolin).

 

  Até lá, Guidetti terá dois anos para lapidar a garotada, algo que ele está acostumado a fazer. Na sua curta carreira como técnico, acumulou conquistas pelas categorias de base da seleção brasileira, pelo Pinheiros e pelo Santo André, além da bagagem adquirida em seus outros desafios, tanto à frente da seleção feminina, quanto na equipe adulta do Pinheiros. 

 

  Para finalizar, Guy Peixoto Jr resumiu bem o que espera do novo comandante nessa nova fase do basquete brasileiro:

 

"O projeto contempla várias etapas, que permitirão à nova geração de jogadores ganhar experiência internacional, trabalhar lado a lado com os mais experientes em determinados torneios, eventos e se preparar adequadamente para a Copa do Mundo, a primeira etapa do ciclo olímpico e, que será fechado com os Jogos Olímpicos de 2020."

 

 

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