Garotada brilha e Paulistano fatura Campeonato Paulista

02/11/2017

O Paulistano pode soltar o grito que estava entalado na garganta. Tradicionalíssimo, o Paulistano lutava com todas as forças para consolidar o belo projeto com um título. Depois de bater na trave em algumas oportunidades, como nas finais do NBB, para o Flamengo e para o Bauru, e também do estadual, para o Dragão, o time da capital paulista atingiu o feito ao vencer com propriedade o Franca, por 91 a 76, em pleno Pedrocão.

 

O troféu coroa um projeto longo, desafiador e vitorioso. Com orçamento inferior a muitas equipes, Gustavinho teve de reinventar o basquete no clube, especialmente nessa temporada. Valorizados pelo vice-campeonato do NBB9, muitos jogadores deixaram a equipe em busca de outros projetos e a diretoria soube muito bem como repor as perdas. 

O comandante perdeu ao todo 5 peças. Georginho e Mogi foram tentar a sorte na NBA, Pecos foi defender o Flamengo, Hure voltou para a Argentina e Renato foi compor o esquadrão cruz-maltino. Em compensação, o clube trouxe outros cinco atletas, muitos deles em fase de desenvolvimento na carreira. Chegaram o armador Elinho, os alas Deryk Ramos e Fuller, o ala-pivô Nesbit e o pivô Du Sommer.

 

Para se ter uma ideia do impacto que os jovens tem dentro da equipe, é só ver o que fez Deryk Ramos no último quarto. O ala-armador foi cirúrgico na armação e conclusão das jogadas, calando o Pedrocão, escrevendo seu nome na história do clube e da equipe no basquete estadual.

 

Mas não foi apenas Deryk quem brilhou. Durante toda a série, o time mostrou a força do elenco, modificando o quinteto em quadra, sem perder o equilíbrio e o poder de fogo. Se alguém ainda tinha dúvidas da força do Paulistano, os garotos provaram a que vieram!

 

Cestinha da partida com 18 pontos, Fuller foi eleito MVP da decisão em sua primeira temporada pelo Paulistano (Divulgação).

 

O vice-campeonato não apaga o belo campeonato feito pelo Franca. Impulsionado pela parceria com o Sesi, que incrementou a equipe com a contratação de grandes jogadores, o time voltou a figurar entre as principais forças, voltando a disputar uma final depois de sete anos, quando perdeu a decisão do NBB3 para o extinto Brasília.

 

Entretanto, como não terá competições internacionais para disputar, Franca entra no Novo Basquete Brasil ciente de que a pressão será ainda maior pelo título, já que o investimento foi alto e será a última oportunidade de se tornar campeão no ano.

 

O JOGO

 

Os primeiros minutos ficaram marcados pelo equilíbrio. É bem verdade que a igualdade se deu com estratégias diferentes. Enquanto os mandantes partiam para as bolas de segurança, com Pedro e Jefferson, os visitantes respondiam na mão certeira de Fuller e Lucas Dias na linha dos três pontos. Aos poucos, a jovem equipe da capital começou a desgarrar, assumindo o controle do jogo com boa organização de Elinho, que explorava corretamente a parceria com Du Sommer, em jogadas de pick-and-roll. Com dificuldade para se aproximar no marcador, Franca tentava construir seu jogo na área pintada, com Antônio, mas sempre que o jogador pontuava em jogadas de infiltrações, Paulistano não baixava a guarda e emplacava outra bola de fora. Assim, fechou o primeiro quarto na frente, 24 a 16.

 

Logo na primeira ação do segundo período, Leo Meindl anotou o primeiro ponto da parcial, na linha do lance livre, mas a produção ofensiva dos mandantes parou por aí. Com baixo desempenho no perímetro, Franca buscava as jogadas no garrafão, mas o Paulistano protegia muito bem o setor. Dominando a área pintada, o time visitante aproveitava da velocidade e pontaria calibrada de Nesbit e Deryk na linha dos três pontos, para aumentar ainda mais a vantagem no marcador. Depois das vaias da torcida e do tempo técnico pedido por Helinho, os mandantes finalmente se encontraram. Com uma defesa agressiva, anulou as principais armas do adversário e foi cortando a diferença com sua dupla de pivôs, Jefferson e Cipolini. Assim, mesmo com as assistências precisas de Elinho, o Franca seguia melhor e foi buscar o empate em jogada de Jefferson, 39 a 39.

 

Paulistano foi implacável na marcação, anulando o perímetro e congestionando o garrafão (Newton Nogueira).

 

Se no primeiro tempo o time francano encontrou muita dificuldade em pontuar nas bolas de três pontos, na volta para o segundo tempo conseguiu converter duas consecutivas, com Alexey e Leo Meindl, para abrir seis pontos de frente. A resposta do Paulistano foi imediata e com participação efetiva de Du Sommer, ex-jogador de Franca.  Anotando cinco pontos na sequência, o jovem pivô colocou fogo no jogo. Próximos no marcador, os rivais abriram a caixa de ferramentas. Se por um lado Cipolini puxava as ações para os mandantes, Fuller e Eddy apareciam com destaque no perímetro, para empatar a partida. A igualdade permaneceu por mais alguns minutos, até Nesbit anotar dois lances livres e decretar a virada, 60 a 58.

 

O mau início de último quarto pelo lado francano, acabou comprometendo todo o Campeonato Paulista. Cometendo erros de manejo de bola e troca de passes, Franca mal conseguia concretizar seus ataques, dando ao Paulistano uma de suas principais armas, o contragolpe. Com maturidade, Deryk liderou a equipe com infiltrações e assistências. Assim, após os passes certeiros que encontraram Fuller e Nesbit, os visitantes abriram dez pontos de vantagem. A volta dos titulares até deu um maior equilíbrio ofensivo ao time da casa, mas Deryk seguia frio e mantinha a gordura no marcador. Para piorar, Jefferson levou falta técnica e o Paulistano pôde se aproximar ainda mais do título com outra bola de fora, dessa vez de Lucas Dias. O domínio dos visitantes na última parcial foi tão grande, que quando a vantagem chegou a vinte pontos, a equipe ficou trocando passes e sequer concluiu seus ataques, para enfim soltar o grito de campeão, 91 a 76.

 

 

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