Seleção Brasileira inicia disputa das eliminatórias sonhando com dias melhores

24/11/2017

Bicampeão mundial, bronze olímpico e quatro vezes vencedor da Copa América (atrás apenas dos Estados Unidos que tem sete conquistas), o Brasil inicia hoje (24), às 22 horas, a disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo da China 2019, buscando não apenas a vaga na competição, mas sobretudo o ressurgimento do basquete nacional.


Não precisa ir muito longe para entender porque o Brasil chegou ao fundo do poço na modalidade. Tomando como base apenas os últimos anos, é possível compreender através de uma linha do tempo, os vexames protagonizados dentro e fora de quadra.

 

Extremamente talentosa, geração "NBA" teve diversos problemas dentro e fora de quadra que limitaram rendimento coletivo (Reprodução).

 

Tudo começou na Copa América de 2013, disputada na Venezuela. Mesmo com a ausência dos Estados Unidos e o regulamento favorável, que classificava oito das dez seleções à segunda fase, o Brasil perdeu os quatro compromissos (incluindo o duelo contra a Jamaica) e foi eliminado ainda na primeira fase da competição.

O desempenho ruim deixou o país de fora do Mundial da Espanha. Pressionada pelo baixo rendimento e eminente ausência do Mundial, que também serviria como preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, a Confederação Brasileira de Basquete solicitou e recebeu um convite para ingressar na competição. 

Dentro de quadra a seleção deu a resposta, passando para a segunda fase com grande campanha, que lhe rendeu o segundo lugar na chave. Foram quatro vitórias e apenas uma derrota, para a Espanha, invicta na fase de grupos. Logo nas oitavas, despachou um de seus maiores rivais e algozes nos últimos anos, a Argentina, com placar elástico, 85 a 65. Na sequência acabou eliminado pela Sérvia, que viria a ser vice-campeã mundial, terminando sua participação em sexto.

O desempenho animou à todos, gerando expectativa para a disputa das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas o que aconteceu na capital fluminense foi um verdadeiro desastre. A equipe não conseguiu repetir as grandes atuações ao lado de seu torcedor e se despediu dos Jogos Olímpicos ainda na primeira fase, com apenas duas vitórias na competição, curiosamente para a tradicionalíssima Espanha e a emergente Nigéria.
 

Eliminação precoce acabou com o sonho brasileiro de conquistar uma medalha olímpica em casa (FIBA).


A pá de cal veio pouco meses depois dos Jogos Olímpicos, em novembro. Por conta de inúmeras dívidas, incluindo a do convite para o Mundial da Espanha, e ausências em torneios de base e feminino, a FIBA suspendeu o Brasil de participar de qualquer competição internacional organizada pela entidade, punindo a seleção nacional e os clubes, que deixaram de disputar a Liga das Américas.

 

A punição abalou e desencadeou uma mudança estrutural na CBB. Carlos Nunes deu lugar a Guy Peixoto e o empresário não mediu esforços para sanar as dívidas, solucionar os problemas administrativos e acertar questões relativas às categorias de base. Quase um ano depois, a FIBA reconheceu as medidas tomadas pela CBB e revogou a punição, recolocando o país de volta ao cenário internacional.

A CBB decidiu apostar na renovação também dentro de quadra, dando à César Guidetti a liberdade para convocar jogadores da nova geração para a disputa da Copa América, agora em agosto. Mas dentro de quadra, a equipe não respondeu e protagonizou outro vexame, se não o maior deles. 

Dependendo de lampejos individuais de alguns jogadores, como Leo Meindl e Fúlvio, a seleção sofreu para vencer a Colômbia e na sequência foi atropelada pelo México e por Porto Rico, ficando de fora não apenas da torneio, como também do Panamericano, pela primeira vez na história. Tudo isso em meio a um ato de indisciplina de Bruno Cabloco, um dos atletas mais talentosos do grupo, que se recusou a entrar em quadra diante dos Mexicanos e foi imediatamente afastado.
 

 Irritado com substituição, Caboclo se negou a entrar em quadra quando foi chamada por Guidetti (Fiba Américas).
 


Agora, com a chegada do novo comandante, o croata Aleksandar Petrovic, a equipe espera que a mescla entre jogadores mais experientes e promessas do basquete nacional, possa dar o balanço que há algum tempo falta na seleção brasileira.

Nessa primeira janela, que contempla os jogos de hoje, diante do Chile e da próxima segunda, diante da Venezuela, em casa, o Brasil, assim como todas as outras seleções, não poderá contar com jogadores que atuam na NBA.

Por conta disso, a responsabilidade de guiar os jogadores mais jovens, recai sobre Anderson Varejão, Alex Garcia, Marquinhos e Benite, remanescentes das últimas campanhas da seleção, tanto em Mundiais, quanto em Olimpíadas.

 

 Croata em seu primeiro treino à frente da seleção brasileira (Marcelo Pires/CBB).

 

Benite, por sinal, aproveitou para falar sobre outro ponto importante a ser observado nessa eliminatórias, a aproximação do time com os torcedores, deixada muitas vezes de lado por conta do calendário e outros fatores como má utilização das praças olímpicas.

“Eu gosto desse formato novo das eliminatórias, é muito interessante. Traz o basquete um pouco mais para perto do público durante o ano, já que antes a Seleção apenas jogava amistosos em casa. Se o país não sediasse uma Copa América, por exemplo, o torcedor não podia ver o Brasil jogando em casa em jogos oficiais. Com isso todo ano as pessoas que gostam de basquete terão a oportunidade de ver a seleção de perto em jogos oficiais."

Agora, com as esperanças renovadas, resta saber como o Brasil lidará com o formato, já que enfim terá tempo para trabalhar a formação de novos pilares dentro da equipe e assimilar as instruções e estilo de jogo do novo comandante.
 

Please reload

Postagens Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags

LARANJA PULSANTE

Informações e análises dos principais campeonatos estaduais, nacionais e internacionais de basquete.

Laranja Pulsante © 2019 | Todos os direitos reservados