Mogi vence Bauru e garante vaga nas quartas-de-final

16/03/2018

O Mogi das Cruzes acabou com a sequência negativa dentro do campeonato e acabou também com qualquer chance bauruense de ingressar no G4. Mesmo jogando na casa do Dragão e desfalcado de algumas peças de reposição, o time do Alto Tietê venceu o duelo por 76 a 75 e garantiu a quarta posição, que assegura a classificação direta nas quartas-de-final.

 

A partida, assim como na eliminação do Bauru na Liga das Américas, teve dois tempos bem distintos. Na primeira metade, superioridade dos visitantes, muito mais tranquilos em quadra. No segundo período, os donos da casa buscaram a recuperação e até tiveram a chance de sacramentar a virada, mas a tranquilidade que faltou aos mandantes, esteve um pouco mais presente nos jogadores do Mogi.

 

Com o triunfo dessa noite, a equipe abre vantagem de dois jogos sobre o rival, que só poderia igualar a campanha mogiana. No entanto, como Mogi venceu os dois confrontos da fase regular, levaria vantagem em um eventual empate, garantindo, assim, a quarta colocação de maneira antecipada, feito comemorado por Filipin.

 

“O jogo foi sensacional. Estava muito quente. Tivemos uns momentos de crise, mas soubemos administrar bem e chegar bem ao final do jogo. Tivemos frieza para escolher a melhor bola e conseguimos nos últimos segundos, com o Shamell decidindo. A equipe está de parabéns. Foi uma superação incrível, com oito jogadores jogar em um calor desse não é fácil, mas o importante é que garantimos o G4.”

 

 Jimmy e Tyrone ditaram o ritmo mogiano na partida (Victor Lira/Bauru Basket).

 

Se a semana bauruense terminou da pior maneira possível, com eliminação na LDA e sem chances de entrar no G4, muito se deu por conta da instabilidade da equipe ao longo de toda a temporada. Protagonizando grandes jogos e outros bem abaixo da média, viu a situação ser refletida exatamente nas duas partidas que lhe custaram seus principais objetivos até aqui, diante do Estudiantes e do Mogi.

 

Principal jogador do time nessa noite, Gabriel Jaú revelou que a eliminação surpreendente para o time argentino, abalou o equilíbrio do time, proporcionando um primeiro tempo apático, que novamente lhe custou a vitória.

 

"Não diria sem confiança, mas abalado pela eliminação na Liga das Américas, mas isso não pode acontecer. O que passou, passou. No segundo tempo voltamos com a nossa pegada e isso mudou totalmente o jogo."

 

A oscilação e a derrota bauruense também passa pelas condições de Alex. O ala não se sentiu bem e passou a tarde toda tomando soro. Ainda assim, pediu para jogar e, mais uma vez, foi um dos principais jogadores em quadra. O problema é que o grande volume de jogo na etapa complementar não foi suficiente para compensar o primeiro tempo da equipe, perdida sem seu capitão.

 

Agora Bauru terá que disputar as oitavas de final, fato minimizado por Demétrius. O treinador pediu atenção total nos próximos jogos, já visando a fase de mata-mata.

 

"Temos três jogos difíceis mas precisamos garantir o terceiro lugar. Temos de pensar como se já fosse o playoff, jogar nesse ritmo, porque se jogarmos assim, entraremos muito bem no playoff, provavelmente contra o Botafogo."

 

O JOGO

 

Desde os primeiros minutos da partida ficou clara a chateação da torcida bauruense com o time, que entrou pressionado pela eliminação na Liga das Américas. A irritação dos torcedores se tornou ainda mais clara com o mau começo de jogo da equipe. Enquanto o Mogi trabalhava coletivamente, explorando as infiltrações e a mão calibrada de Tyrone, o Bauru precipitava arremessos longos, alguns que sequer deram aro. A combinação resultou em uma desvantagem significativa no marcador, acompanhada de pedidos de raça, 13 a 5.

 

A resposta dos mandantes veio de onde menos se esperava, ao menos na teoria. Ainda que jovens, os garotos da base são os que melhor tem apresentado equilíbrio, levando em conta, claro, todas as variantes. Com uma defesa forte, sobretudo no garrafão, reforçado por Jaú e Maikão, o Dragão foi se recuperando dentro da partida. A crescente só não foi ainda mais positiva porque Caio Torres garantiu quatro pontos consecutivos na tábua, 20 a 15.

 

No começo do segundo período a história se repetiu. Com dificuldades para trabalhar a posse de bola, os donos da casa abusaram das violações e foram completamente dominados pela equipe visitante. Aproveitando a superioridade numérica desenhada no contragolpe, o Mogi emplacou três arremessos do perímetro, colocando a diferença na casa dos dígitos duplos pela primeira vez no confronto, 33 a 22.

 

Nem mesmo a volta de alguns jogadores fundamentais deram jeito no Bauru. Ainda que tenha parado de desperdiçar bolas que culminavam na transição mogiana, os mandantes seguiam sem confiança para desenvolver seu jogo. Assim, não foram poucas as vezes, em que refugaram em  infiltrar ou mesmo arremessar. Com tranquilidade, Mogi foi para os vestiários com folga no marcador, 45 a 31.

 

Se o terceiro quarto causou um dano irreparável para o Dragão diante do Estudiantes, na Liga das Américas, no confronto com o Mogi serviu para recolocar o time na partida. Muito mais agressivo na defesa, Bauru se protegeu muito bem. A consistência deu confiança para a equipe trabalhar ofensivamente, em situações de contragolpe e de jogadas trabalhadas no cinco contra cinco. Liderado por Renan e Jau, que anotaram cinco pontos cada, o Dragão tirou dez pontos de desvantagem, baixando a diferença para apenas quatro pontos, na metade da parcial. 

 

Atordoado e acusando o desgaste físico decorrente do baixo número de atletas como opção no banco de reservas, os visitantes esboçaram uma reação na individualidade de Jimmy. Mas o momento era favorável aos donos da casa, que não baixaram a guarda e tampouco deixaram a mão esfriar. Com uma chuva de bolas de três pontos, de Jaú, Alex e Anthony, encostou de vez no marcador, 58 a 55.

 

 Jaú deu uma nova cara ao confronto no segundo tempo (Victor Lira/Bauru Basket).

 

O último período foi equilibrado do começo até o fim. Desde os primeiros minutos os rivais machucaram a defesa adversária das mais variadas maneiras. Em meio as investidas de Tyrone, Bauru conseguiu responder, diminuindo a diferença para apenas um ponto, com os arremessos certeiros de Alex e Duda, no perímetro.

 

A resposta mogiana foi praticamente imediata. Ainda que tivesse dificuldades de criar boas oportunidades, abriu cinco pontos de frente em jogadas oriundas de rebotes ofensivos. O Dragão não se abateu e foi buscar o empate, em infiltração de Anthony e bola de três pontos de Duda. Duda, por sinal, ainda teve a oportunidade de garantir a vitória ao Bauru e sair como grande herói da noite, mas se precipitou e deu a oportunidade do Mogi ter um último ataque.

 

Apagado até então, Shamell chamou a responsabilidade e, mesmo cercado de três bauruenses, colocou a bola dentro da cesta, a dois segundos do final do jogo. Na reposição, Duda serviu Renan, que sofreu falta e teve a chance de levar a partida para a prorrogação, mas o ala-pivô desperdiçou o segundo lance livre e a vitória ficou mesmo com os visitantes, 76 a 75.

 

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