Com cesta no estouro do cronômetro, Vasco vence Bauru e empata série

06/04/2018

O Vasco da Gama conquistou um grande resultado dentro do Ginásio Panela de Pressão, em Bauru. Mesmo jogando fora de casa, mostrou força e frieza necessária para vencer o equilibrado confronto contra os mandantes, por 92 a 89, empatando a série em 1 a 1.

 

Do ponto de vista técnico, as duas equipes fizeram um grande jogo, com direito a aproveitamento altíssimos em todos os setores da quadra. Tanto o Dragão quanto o Gigante da Colina tiveram desempenho superior à 40% nas bolas de três pontos, 55% nos arremessos à média e curta distância e 85% na linha do lance livre.

 

Muito dessa produção se deve a qualidade dos dois elencos, repletos de grandes jogadores. Ainda que alguns tenham deixado a desejar essa noite, outros, menos badalados, compensaram, surgindo como elemento surpresa, fundamental nessa altura do campeonato.

 

O nome da partida não poderia ser outro, se não Gustavo. O ala-armador que vem ganhando respaldo de Cristiano Carvalho, contribuiu com 20 pontos dentre 23 tentados, sendo ele o responsável por converter a cesta derradeira, já no apagar das luzes, mesmo diante da marcação de Hettsheimeir.

 

"Graças a Deus tive a oportunidade de fazer essa última bola mas hoje o time fez um grande jogo, com pontuação alta de vários jogadores. O time jogou firme do início ao fim, mas ainda não tem nada ganho. Temos de pensar no jogo de sábado porque é mais uma pedreira, mas vamos dar o nosso máximo para tentar levar para o Rio e decidir lá."

 

 Com 20 pontos, Gustavo quebrou seu recorde pessoal no NBB (Victor Lira/Bauru Basket).

 

O placar e o desempenho ofensivo elevado também é fruto de defesas mais desequilibradas. Os rivais encontraram muitas dificuldades de fazer o balanço com ajuda defensiva em situações de bloqueios com infiltrações, situação que desagradou Demétrius, comandante bauruense.

 

“A gente acabou dando espaço para o Vasco e o jogo ficou muito aberto até o final. É isso que não podemos deixar acontecer no próximo embate (neste sábado). Precisamos buscar alternativas defensivas para diminuir esse placar e ter chances de vitória. Playoff é pressão o tempo todo."

 

Agora as atenções se voltam para o jogo de número três, que será realizado no próximo sábado, às 14 horas, novamente em Bauru. O duelo terá transmissão da Band.

 

O JOGO

 

O Vasco começou a partida demonstrando mais organização e tranquilidade. Defendendo de maneira intensa, sobretudo em cima de Hettsheimeir, a equipe visitante se impôs no contragolpe. Em infiltrações de Gustavo e Renato, abriu oito a zero, obrigando Demétrius a parar o jogo, com apenas quatro minutos de partida.

 

Mesmo com todas as trocas promovidas pelo técnico, a equipe bauruense demorou a se encontrar. Desligada, permitia rebotes ofensivos e arremessos livres do adversário, que chegou a abrir onze pontos com bolas certeiras de Gustavo e Renato na linha dos três pontos. O Dragão só reagiu nos minutos finais do período, quando Duda e Shilton costuraram duas tabelinhas, diminuindo o prejuízo parcial, 20 a 16.

 

O crescimento de produção bauruense ficou claro no segundo quarto. Diferentemente do período anterior, Bauru iniciou a parcial melhor, demonstrando segurança defensiva, principalmente nas trocas, que vinham machucando a defesa até então. Com a defesa protegida, teve tranquilidade para trabalhar ofensivamente. Com uma sequência de arremessos do perímetro, de Jaú e Duda, assumiu a liderança do marcador pela primeira vez no duelo.

 

Foi então que entrou em cena um elemento novo no confronto, o equilíbrio. A boa movimentação das equipes, fez com que superassem os trabalhos defensivos, de modo que fosse constante a troca de lideranças. Enquanto os mandantes apostavam nas infiltrações de seus armadores, dentre eles Stefano, o cruz-maltino contava com a imposição física e técnica de Lucas Mariano na área pintada. Tamanha paridade não poderia resultar em outro resultado, se não o empate, 42 a 42.

 

O Vasco voltou melhor para o segundo tempo. De maneira inteligente, abriu a quadra com a presença de seus pivôs na linha dos três pontos. Além de converterem uma bola cada no perímetro, criaram espaços para as infiltrações de Gustavo. A combinação permitiu ao Gigante da Colina abrir sete pontos e desgarrar um pouquinho no marcador.

 

Durante o período, o Bauru melhorou ofensivamente. Liderado por Anthony, que criava arremessos para si mesmo com seus cortes rápidos, e por Jaú, que conseguia ajudar com seus pontinhos nas área pintada, os mandantes foram se aproximando do rival a cada investida. A virada só não foi consumada porque a equipe seguia tendo dificuldade para marcar Lucas Mariano e Renato dentro do garrafão. Na linha do lance livre, a dupla manteve os visitantes à frente, 68 a 66.

 

Anthony terminou como cestinha, com 27 pontos, mas falhou na última posse de bola (Victor Lira/Bauru Basket).

 

Os primeiros minutos do último período foram recheados de alternativas e tensão. Apresentando dificuldades para pontuar com seus pivôs, o Dragão obteve a virada em duas jogadas individuais de Shilton. Sem poder contar com Gustavo, que fazia ótima partida e estava pendurado com quatro faltas, o Vasco respondeu com Nezinho, que também estava apagado, empatando a parcial, marcada pelo alto número de erros e faltas.

 

Foi então que o talento e a liderança de Anthony falaram mais alto. O armador, que já vinha fazendo uma partida segura, anotou sete pontos consecutivos, dentre eles um crossover seguido de tiro de três pontos, para dar a liderança à sua equipe e levantar a torcida que lotou o Panela de Pressão.

 

Sem o mesmo brilhantismo do armador adversário mas com inteligência de sobra, o cruz-maltino foi se mantendo na cola dos atuais campeões brasileiros buscando jogadas de contato que colocaram os principais jogadores da equipe na linha do lance livre. A lucidez que sobrou ao Vasco, faltou ao Bauru, sobretudo a Anthony, como se fosse uma espécie de castigo.

 

Em uma de suas jogadas características, infiltrou com facilidade mas, no receio de receber toco, cometeu violação que rendeu contragolpe ao Gigante da Colina. Com apenas quatro segundos, Fúlvio encontrou Gustavo na linha dos três pontos e o ala, já no estouro do cronômetro, converteu arremesso certeiro, liquidando a partida, 92 a 89.

 

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