Na superação, Bauru vence o Vasco e desempata série

07/04/2018

Uma palavra define a vitória bauruense nesse sábado, sobre o Vasco da Gama, por 83 a 79. Superação. Sem Alex Garcia e Renan Lenz, machucados, e em determinado momento sem Jaú, que deixou a quadra imobilizado mas depois retornou, o Dragão virou sobre a equipe carioca e desempatou a série, ficando a uma vitória das quartas de final.

 

O duelo, assim como em todos os outros anteriores entre as equipes, tanto na fase regular, quanto nos playoffs, foi bastante movimentado. Mas, diferentemente dos outros confrontos, Bauru mostrou mais solidez defensiva, condição exaltada por Demétrius, especialmente nesse cenário de incertezas decorrente da ausência de algumas peças.

 

"A gente apertando a defesa, temos mais o controle do jogo, que é mais a característica da nossa equipe. No terceiro quarto, que foi crucial para a vitória, fizemos onze a zero e tomamos nove pontos. Eu nunca imaginava que chegaria em um playoff com dois titulares fora. Mais isso mostra que a equipe, apesar de estar sem alguns soldados, continua. Vamos tentar finalizar a guerra no Rio de Janeiro, no quarto jogo."

 

Outro ponto assinalável recai sobre o desempenho da dupla Anthony e Hettsheimeir. Contratados no início da temporada, foram escolhidos a dedo para atuarem em parceria, em situações de pick-and-roll, dada as características de cada um deles. Hoje as tramas entre eles funcionaram muito bem, com o pivô se aproveitando da condição física e o americano de sua velocidade, para dominarem o garrafão.

 

Anthony e Hettsheimeir deixaram a quadra como cestinhas, com 22 pontos cada (Victor Lira/Bauru Basquete).

 

Ao comentar sobre o desempenho individual, Anthony foi sucinto: “Fico feliz em ter ajudado o time. A derrota de quinta-feira  foi difícil de ser engolida, mas nós trabalhamos bem e agora é manter este espírito para o duelo no Rio de Janeiro."

 

Se o sentimento do lado bauruense é positivo, o mesmo não se pode dizer do lado cruz-maltino. A equipe até fez um bom primeiro tempo, mas caiu de rendimento na etapa complementar, sendo dominado pelo Dragão, que passou a controlar melhor o trabalho interno de Renato, principal nome da equipe na primeira metade.

 

A oscilação não agradou ao técnico Cristiano, que deixou a quadra visivelmente irritado com o resultado adverso. Mesmo assim, minimizou a iminente pressão que recai sobre o time, uma vez que está pressionado dentro da série. 

 

"Não tivemos uma boa postura de jogo. Nós tivemos oportunidade de crescer dentro da partida e não crescemos. Nosso aproveitamento ofensivo foi muito ruim, principalmente no terceiro quarto, aonde perdemos uma vantagem de seis pontos e deixamos Bauru colocar a diferença no jogo. Mas a série está aberta e temos totais condições de vencer no Rio e trazer a decisão para Bauru."

 

Como os técnicos já reiteraram, o próximo confronto entre as equipes será na terça-feira, às 19:30, no Rio de Janeiro, com transmissão do SporTV. Se Bauru vencer em solo fluminense, carimba passaporte para as quartas de final. Caso o Vasco vença diante de sua torcida, forçará a realização do quinto e decisivo jogo, que ainda não tem data marcada.

 

O JOGO

 

A intensidade dos primeiros minutos de partida, digna de um playoff, fez uma vítima. Quando o placar registrava apenas dois minutos de jogo e empate em três pontos, Jaú tentou se antecipar a Gustavo para recuperar a bola mas o choque foi inevitável e violento. O ala cruz-maltino não se machucou, mas Jaú sofreu corte na cabeça e precisou deixar a quadra imobilizado, para preocupação de todos, principalmente de seus familiares.

 

Quando a bola de fato rolou, o Bauru largou na frente. Com uma defesa mais agressiva e atenta as constantes trocas de posicionamento do Vasco, abriu vantagem com a pontaria calibrada de Isaac e Anthony na linha dos três pontos. A resposta dos visitantes foi imediata, com Gustavo, protagonista no duelo de quinta-feira. 

 

Com todos os desfalques, Anthony assumiu a liderança bauruense, em um papel similar a que desenvolvia em Macaé, seu ex-clube. Criando arremessos para si próprio, o armador puxava a pontuação da equipe, que não conseguia conter o trabalho de Renato na área pintada. Com onze pontos no quarto, o pivô conduziu seu time a vitória parcial, 21 a 20.

 

O início do segundo período ficou marcado pela baixa produtividade das equipes, que refletiu diretamente no marcador, pouco alterado. Passada a oscilação, o Vasco se estabeleceu. Com boa movimentação e leitura de jogo, procurou as jogadas de segurança, que terminaram obrigatoriamente dentro do garrafão, com Renato e Hayes, postura oposta a do Bauru, que estático, queimava bolas longas, sem sucesso.

 

Na reta final do primeiro tempo, os mandantes, mesmo com muitas dificuldades na armação, até conseguiram melhorar sua produção ofensiva, já que atuaram próximo à cesta, usando Maikão como referência. Mas as desatenções nas reposições de bola e na obtenção dos rebotes defensivos, permitiram cestas fáceis ao Gigante da Colina, que foi para os vestiários em vantagem, 44 a 38.

 

Jaú voltou à quadra nos minutos finais do primeiro tempo e contribuiu com sete pontos e 4 rebotes (Victor Lira/Bauru Basket).

 

O Dragão voltou mais agressivo para a etapa complementar. Equilibrado na defesa e apostando na tradicional jogada de pick-and-roll envolvendo Anthony e Hettsheimeir, o time da casa machucou a defesa vascaína, que nada pôde fazer, se não parar as jogadas com faltas. Na linha do lance livre e também em arremessos curtos, tanto o pivô quanto o armador foram impecáveis. Combinando para onze pontos, deram à equipe não apenas a liderança, mas também ligeira margem no marcador.

 

Depois do tempo técnico pedido por Cristiano e o Vasco finalmente conseguiu pontuar, com mais de cinco minutos e meio de segundo tempo, em dois lances livres de David Jackson, mas os mandantes seguiam melhores, especialmente no sistema defensivo e nas tramas envolvendo Anthony e Hettsheimeir. A combinação permitiu aos donos da casa fecharem o quarto à frente, 57 a 53.

 

O começo do último período foi bastante movimentado. Implacável na defesa, o Bauru teve o contragolpe à seu favor e foi preciso. Com direito a passe por baixo das pernas do rival, Duda deixou Osvaldo em ótimas condições para converter bandeja e abrir oito pontos de frente. Mas o cruz-maltino respondeu prontamente, recuperando a dianteira através do arremesso longo de Fúlvio e consecutivas infiltrações de David Jackson.

 

O Dragão não se abateu com o crescimento do rival, nem com as lambanças da arbitragens. Reorganizando sua defesa, anulou as principais referência do rival no período, o ala-armador David Jackson e o ala-pivô Giovannoni. A organização defensiva devolveu a tranquilidade à equipe, que abriu seis pontos no marcador com dois arremessos de três pontos de Hettsheimeir, além de lances livres convertidos pelo próprio pivô , decorrentes de falta técnica cometida por Fúlvio.

 

A vantagem em duas posses de bola, a dois minutos do final do confronto, sobretudo pelo controle emocional bauruense, parecia ser suficiente. E de fato, foi. Ainda que Duda tenha cometido falta técnica e Osvaldo permitido dois rebotes ofensivos ao rival, o Bauru assegurou o triunfo na linha do lance livre, com Anthony, 83 a 79.

 

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