Em partida memorável de Duda, Bauru vence batalha e se classifica às quartas

11/04/2018

Há partidas que ficam para sempre marcadas na história da competição, do time, dos jogadores. É o caso da classificação heroica conquistada pelo Bauru Basket sobre o Vasco da Gama, em duelo decidido apenas na prorrogação. Com a vitória bauruense por 104 a 103, o Dragão fechou a série diante dos cariocas por 3 a 1, garantindo passaporte para as quartas de final, onde terá pela frente o arquirrival Franca.

 

Para entender o tamanho da façanha bauruense é preciso voltar no tempo. Depois de um desempenho discreto na primeira fase da competição, a equipe entrou pressionada na série e logo no primeiro jogo perdeu seu capitão, Alex Garcia. No duelo seguinte, perdeu outra peça fundamental no esquema de Demétrius, o ala-pivô Renan Lenz.

 

Ainda assim, Bauru viajou para o Rio de Janeiro com vantagem na série. Mas logo que a bola subiu, os problemas aumentaram. O primeiro tempo ruim, fruto do desequilíbrio defensivo causado pelos cortes fáceis em cima de Anthony, carregaram a equipe de faltas e permitiram ao Gigante da Colina disparar no marcador.

 

A reação bauruense teve início ainda no terceiro quarto, quando Hettsheimeir e Jaú dominaram a área pintada. Quando Duda se juntou à dupla, o duelo pegou fogo. Mas como o Dragão sofria defensivamente e ia perdendo peça importantes pelo acúmulo de faltas (casos de Anthony, Hettsheimeir, Jaú e Shilton), coube ao ala assumir o protagonismo da equipe.

 

Criado na capital fluminense, Duda se sentiu em casa. Com a família nas arquibancadas da Arena Carioca, o ala deu a improvável vitória aos seus companheiros com direito a uma cesta histórica. Repetindo a jogada que ganhou notoriedade mundial pelas mãos de Paulinho Boracini, seu ex-companheiro de clube, Duda deu números finais ao duelo com cesta de três pontos, a seis segundos do final do jogo.

 

 Duda repete jogada de Paulinho e coloca Dragão nas quartas (Reprodução/Internet).

 

 

Duda, por mio da assessoria do clube, agradeceu e dedicou o triunfo à torcida bauruense. Além disso, pediu foco total no Franca, já que o primeiro confronto será na próxima segunda-feira na casa do Dragão.

 

“Quero agradecer toda a torcida em Bauru porque nós estamos abaixo da expectativa e de tudo o que podemos fazer no NBB, mas o apoio continua sempre o mesmo. Então, essa vitória é para a nossa torcida. Nós perdemos importantes rebotes no tempo normal e isso quase comprometeu a partida, mas jamais desistimos dentro de quadra. Agora, é comemorar um pouco, voltar para Bauru e já pensar em Franca, nosso próximo adversário.”

 

Ao Vasco, resta agora traçar um planejamento mais realista para a próxima temporada, para não repetir os erros das últimas temporadas e alçar voos maiores, como o esperado por toda a comunidade cruz-maltina.

 

O JOGO

 

O Vasco mostrou, logo de cara, que não mediria esforços para se manter vivo na competição. Com pouco mais de dez segundos, Renato movimentou o marcador pela primeira vez, com uma enterrada. Bauru não se intimidou e equilibrou as ações, com destaque para Jaú, seguro na defesa e participativo no ataque.

 

A saída precoce de Jaú, que cometeu sua segunda falta, não comprometeu a articulação das jogadas, mas prejudicou a finalização das tramas, antes concluídas por ele, e também o sistema defensivo. Melhor para os mandantes, que souberam aproveitar os arremessos forçados de três pontos e os erros de passe dos visitantes, para desgarrar no marcador com contribuição de Gui Deodato e Lucas Mariano, que vieram bem do banco de reservas, 22 a 15.

 

 Jaú foi quem melhor apresentou balanço defensivo/ofensivo (Nayra Halm/fotodojogo).

 

A situação ficou ainda pior para o Bauru no começo do segundo quarto. Demonstrando ansiedade, o Dragão abusou das más escolhas nas construções das jogadas e foi castigado pelo cruz-maltino. Distribuindo o volume de jogo entre as bolas de segurança de Renato, dentro do garrafão, com os tiros de Gui e Jackson, no perímetro, os donos da casa chegaram a abrir dezesseis pontos de vantagem.

 

Os visitantes só se encontraram na reta final do primeiro tempo. Colocando mais intensidade na marcação, com direito a dobras nos armadores, o Dragão conseguiu anular alguns ataques do rival, ao mesmo tempo em que melhorou sua produção, olhando com mais atenção para o garrafão, reforçado por Hettsheimeir e Maikão, autores de treze pontos no período. Ainda assim, o Vasco foi para os vestiários com ligeira tranquilidade no placar, 48 a 38.

 

O início do segundo tempo foi extremamente movimentado. Liderado por Hettsheimeir, que emplacou oito pontos consecutivos, sendo seis deles na linha dos três pontos, o Bauru voltou melhor, reduzindo a diferença para apenas cinco pontos. Mas os desperdícios ofensivos de Duda e Anthony, que prenderam e perderam a bola, deram o contragolpe ao Vasco, que aproveitou as oportunidade, voltando a colocar a vantagem na casa dos dígitos duplos em arremessos de David Jackson e Gustavo.

 

A movimentação ofensiva bauruense seguiu interessante e eficiente. Abrindo bem a quadra, Duda colocou Hett e Jaú em ótimas condições para trabalhar no um contra um próximo à cesta. A dupla dominou a área pintada, causando imenso estrago ao plano de jogo vascaíno, que, durante um bom tempo, conseguiu responder a crescente dos visitantes. Mas, no estouro do cronômetro, Duda calibrou a mão e botou fogo na partida, 70 a 65.

 

Dominando a área pintada, Hettsheimeir anotou 23 pontos, sendo 12 deles no terceiro período (Nayra Halm/fotodojogo).

 

O bom momento no duelo permitiu ao Bauru diminuir a diferença para apenas uma posse de bola após infiltração de Duda. No entanto, diante da dificuldade defensiva de Anthony, que rendeu desequilíbrios consecutivos, a equipe precisou apelar para as faltas, excedendo o limite coletivo em apenas dois minutos. Ainda assim, os visitantes se mantinham vivos na partida em partida consistente de Duda e Jaú.

 

Sem Hettsheimeir, que foi guardado para os minutos finais, o Gigante da Colina direcionou todas as suas tramas para dentro do garrafão. Por ali, levava sucesso, tanto nos arremessos, quanto na linha do lance livre, ficando no controle do jogo. Com o final da partida se aproximando e a diferença permanecendo no marcador, o Vasco parecia ter a vitória assegurada, sobretudo depois dos lances livres convertidos por David Jackson, que deram vantagem de cinco pontos a doze segundos do final. 

 

Foi então que brilhou o trabalho de Demétrius e de Duda, seu principal aluno essa noite. O ala apareceu primeiro, convertendo arremesso longo proveniente de assistência de Hettsheimeir. Na sequência o pivô se sacrificou para colocar Renato na linha do lance livre. O ala-pivô cruz-maltino errou o primeiro e Dema parou o jogo. A jogada orquestrada pelo comandante era clara, bola na mão de Duda. A equipe cumpriu a risca, criando espaço para ele aparecer livre. David Jackson chegou atrasado e cometeu a falta. Na linha do lance livre, Duda demonstrou frieza para converter os três chutes e levar o duelo para a prorrogação, 91 a 91.

 

PRORROGAÇÃO

 

Como esperado, a prorrogação foi extremamente tensa. Com dificuldades para criar jogadas, os adversários só conseguiram pontuar na linha do lance livre. Por falar em lance livre, Bauru teve a oportunidade de assumir a liderança do confronto pela primeira vez na partida, mas os desperdícios de Shilton e Jaú impediram a virada.

 

Em contrapartida, Fúlvio, se aproveitando da malandragem para cavar faltas, foi tirando as principais peças do oponente pelo acúmulo de faltas, ao mesmo tempo em que deixava sua equipe muito próxima da vitória, abrindo sete pontos de frente a apenas 50 segundos do encerramento do jogo.

 

Mas havia muita água para rolar e foi nessa esperança que o Dragão se apegou. Mesmo todo remendado, a equipe foi buscar o que parecia impossível. Precisando trocar faltas por ataques rápidos, Bauru foi se aproximando do placar com arremessos precisos de Duda e Isaac, ambos pendurados com quatro faltas. 

 

 Homem do jogo, Duda deixou a quadra com 26 pontos e 30 de eficiência (Nayra Halm/fotodojogo).

 

Para se ter uma ideia do drama bauruense, se a dupla cometesse mais uma falta, teria de encerrar o duelo com apenas quatro jogadores, já que tinha apenas Samuel como opção no banco de reservas. Osvaldo se responsabilizou pelas faltas e deu liberdade para a dupla. Com apenas seis segundos no relógio, Duda foi parar na linha do lance livre, mas converter apenas os dois arremessos não seria suficiente, já que o time perdia por três pontos.

 

Imediatamente veio a imagem da cesta de Paulinho Boracini, diante do próprio Bauru, em um lance épico que rodou o mundo. Parecia ousadia demais imaginar que o lance, jamais antes registrado na história do basquete, voltaria a se repetir em um intervalo de tempo tão curto. Mas aconteceu. Duda converteu o primeiro, foi buscar o próprio rebote do segundo e converteu arremesso da zona morta, dando a liderança para o Dragão, a apenas três segundos do apagar das luzes. Na reposição David Jackson vinha para uma bandeja tranquila e Osvaldo apareceu para fechar a porta com um toco e garantir a classificação bauruense, 104 a 103.

 

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