Consistente, Bauru segura Paulistano e leva decisão para o quinto jogo

Sacrifício. Nenhuma outra palavra pode definir melhor a vitória do Bauru Basket sobre o Paulistano, por 82 a 75, empatando a série semifinal em 2 a 2, forçando, assim, a realização do quinto e decisivo duelo, marcado para a próxima segunda-feira, às 19:30, na capital paulista.


A partida que por si só já ganhava contornos dramáticos, ficou ainda mais tensa para os donos da casa antes mesmo da bola subir. A rotação, que já era curta, ficava ainda mais comprometida. Isso porque Duda não reunia condições de jogo, se tornando mais um desfalque para Demétrius, que em contrapartida contou com a volta de Renan.


O Dragão precisava fazer um jogo praticamente perfeito, do ponto de vista tático, se quisesse bater a gabaritada equipe do Paulistano e se manter vivo na competição. E assim o fez. Sem abrir mão de uma defesa segura e agressiva, que acabou custando a exclusão de Anthony e do próprio Renan, Bauru neutralizou os pontos fortes do rival e teve o controle de das ações.


A entrega dos atletas foi enaltecida por Demétrius, que fez questão de atribuir o resultado a postura diária da equipe, que vem se remodelando com as consecutivas lesões sofridas ao longo da temporada.


“Essa série vem sendo um estudo tático dos dois lados porque as equipes já se conhecem bem. Conseguimos impor o nosso ritmo e fazer o que precisávamos fazer. Temos que enaltecer esse time, a comissão técnica e tudo o que vêm fazendo. Só quem está no nosso dia a dia sabe o quanto trabalhamos e o quanto nos superamos a cada dia. Eu gosto de dizer que aqui é jogo a jogo e muito esforço e vamos focados para São Paulo neste jogo 5.”


Embora o espírito tenha comovido todo o elenco, duas peças foram fundamentais para a vitória bauruense nessa noite. Assimilando a responsabilidade dentro do plano de jogo imposto por Demétrius, Isaac e Hettsheimeir anotaram mais da metade dos pontos convertidos pelo Dragão na partida (42 dos 82).


Agressivo em direção à cesta, Isaac foi uma das principais armas do Dragão (Victor Lira/Bauru Basket)

Cestinha da partida, o ala Isaac minimizou a atuação individual, dando ênfase no quinto e decisivo jogo, que vai apontar o finalista do Novo Basquete Brasil.


“Nossa equipe vem se superando a cada partida. Hoje trabalhamos intensamente na defesa e quando defendemos bem, temos a posse de bola. Cadenciamos bem o duelo, conseguindo bons ataques. Hoje eu fui o cestinha, amanhã pode ser o Rafael, depois outro jogador porque essa tem sido a nossa essência e vamos continuar na batalha.”


Do outro lado, o Paulistano não esteve nos seus melhores dias, e justamente por conta da postura adotada pelo Bauru. O jogo cadenciado executado pelo adversário estancou a produção ofensiva da equipe da capital, que não conseguiu apresentar outra alternativa às ineficientes bolas de três pontos.


Um dos poucos, se não o único, a buscar outro caminho dentro do embate foi o armador Yago. Usando e abusando da velocidade e do controle de bola, o jovem jogador foi mais uma vez a referência da equipe dentro de quadra, machucando a defesa adversária e mantendo seu clube vivo na partida.


Ainda assim, como ele mesmo admitiu ao final do duelo, a reação dos visitantes, puxada por ele mesmo na reta final do terceiro quarto, se tornou insuficiente para reverter a superioridade tática do Dragão.


"Sabíamos que ia ser um jogo muito duro e que o foco era importante todo o tempo. Deixamos eles fazerem algumas bolas fáceis e não tivemos a mesma força na defesa que tivemos no Jogo 4. Isso deu oportunidade para eles se manterem na liderança quase o tempo todo e cadenciarem o jogo até o final."


Agora, os últimos finalistas do Novo Basquete Brasil, decidiram quem voltará a final da competição na próxima segunda-feira, às 19:30, no Ginásio Antônio Prado Jr, na casa do Paulistano, que teve melhor campanha na primeira fase.


O JOGO


Como era de se esperar, os primeiros minutos de partida foram bastante tensos. Com dificuldade para sair da defesa adversária, os rivais pouco modificaram o marcador. Aos poucos, os adversários foram se ajustando e melhorando sua produção ofensiva. Selecionando bem os arremessos, Bauru dominou a área pintada, fechando o primeiro período com ligeira vantagem, que só não foi maior porque Hubner e Jhonatan converterem bolas de três pontos, 18 a 16.


O equilíbrio e o duelo de xadrez seguiu presente no segundo quarto. Com as atenções redobradas na defesa, o duelo ficou bastante truncado, com as duas equipes parando na linha do lance livre diversas vezes. Aproveitando melhor as oportunidades e contando com boa aparição de Jaú, que contabilizou cinco pontos e quatro rebotes somente na parcial, o Dragão aumentou um pouquinho mais sua gordura no marcador, 36 a 32.


Dominante no garrafão, Hettsheimeir contabilizou mais um duplo-duplo, 20 pontos e 12 rebotes (Victor Lira/Bauru Basket)

O terceiro período foi o que mais rendeu emoções aos torcedores de Bauru e Paulistano. O bom começo de segundo tempo deu aos mandantes a real possibilidade de abrir frente, especialmente após falta antidesportiva em cima de Anthony, mas não foi bem isso que aconteceu. Acumulando erros ofensivos, os mandantes deram quadra aos visitantes, que assumiram a liderança com uma sequência de seis bolas de três pontos. Já no final do período, Isaac colocou a bola debaixo do braço, recolocando o Dragão na dianteira, 57 a 56.


Mesmo diante das ausências momentâneas de Anthony e Renan, pendurados com quatro faltas, Bauru voltou para o último período mostrando segurança. Distribuindo bem a pontuação da equipe, mantinha a diferença sempre em duas posses de bola, o que dava confiança para a equipe trabalhar. Somente na metade do período que a vitória chegou a ficar ameaçada. Liderado por Yago, o Paulistano encostou de vez no marcador, justamente no momento em que Anthony deixava de vez a quadra.


Discretos até então, Stefano e Renan liquidaram a partida. Após dois trabalhos defensivos, a dupla articulou duas tramas envolventes na contraofensiva, recolocando a vantagem em sete pontos. Sem outra alternativa, o Paulistano tratou de acelerar o ritmo, mas a cada minuto que se passava, o Bauru se aproximava ainda mais da vitória, demonstrando maturidade, 82 a 75.


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