Soberano no segundo tempo, Mogi despacha Flamengo e se garante na final

O Mogi das Cruzes vai disputar, pela primeira vez na história, a decisão do Novo Basquete Brasil. Empurrado por sua torcida fanática, que lotou o Ginásio Hugo Ramos, a equipe da casa desbancou o time do Flamengo ao derrotá-lo por 89 a 72, garantindo a inédita classificação à grande final.


O time mogiano foi superior ao longo de toda a série, mas nesse sábado se estabeleceu a partir do segundo tempo, quando manteve a consistência defensiva e conseguiu alinhar algumas peças, até então apagadas, no ataque, dividindo o volume de jogo da equipe com o brilho individual de Shamell.


O ala norte-americano fez, de longe, sua melhor partida na história da competição. Não apenas pelos 40 pontos, que passa a ser seu recorde pessoal no campeonato, mas pela liderança que exerceu dentro de quadra, assumindo o papel que dele se espera, especialmente nos momentos decisivos.


Ao final da partida, em entrevista para o canal SporTV, fez questão de ressaltar a força psicológica da equipe na partida, além é claro, de comemorar o desempenho individual que garantiu a classificação para seus companheiros.


"A gente sabia da qualidade do Flamengo e mantivemos a confiança mesmo quando estavamos perdendo. Aqui é a casa do Shamell! Vocês não sabem o que eu estou sentindo! Depois de três anos aqui, aos meus 37 anos, disputar a primeira vez a final me deixa sem palavras! Isso não é para mim, é para a cidade. Mogi merece isso."


Entre bolas de três pontos, infiltrações e lances livres, Shamell anotou 40 pontos e conduziu Mogi à decisão do NBB (Antônio Penedo)

Nesse clima de festa, Mogi espera agora a definição de seu adversário na decisão, que sairá da série entre Paulistano e Bauru, empatada em 2 a 2, com quinto e decisivo jogo agendado para a próxima segunda-feira, às 19:30, na capital paulista.


A felicidade mogiana contrasta com a decepção rubro-negra. Credenciado pelo grande investimento e pela campanha irretocável na primeira fase, o Flamengo esperava voltar a decisão do NBB após uma eliminação precoce na última temporada. Seria o cenário ideal para a aposentadoria de um de seus maiores ídolos, Marcelinho Machado.


Não foi o que aconteceu. Pentacampeão do NBB, Marcelinho deixa as quadras de maneira frustante, em uma temporada em que o Flamengo acabou eliminado das duas competições que disputou, para o Pinheiros, na Liga Sulamericana, e para o Mogi, no Novo Basquete Brasil.


Essa sequência deve ocasionar muitas mudanças no elenco e na comissão da equipe, que acumulam pressão pelo histórico vencedor da equipe, que já não consegue repetir os feitos de anos anteriores, em que o clube destoava dos demais adversários.


O JOGO

Os primeiros minutos de partida ficaram marcados pelo nervosismo das duas equipes, que esbarravam na falta de tranquilidade para superar a marcação apertada do adversário. Quem se encontrou primeiro foi o Flamengo. Explorando a presença de Varejão dentro do garrafão, o rubro-negro tomou conta do jogo na primeira metade da parcial.


Ainda assim, o domínio foi mínimo, com o Mogi se estabelecendo na sequência. Distribuindo o volume de jogo entre todo seu quinteto, sempre próximo à cesta, os mandantes contaram com duas bolas de Shamell na linha dos três pontos, para fechar o primeiro quarto com ligeira vantagem, 17 a 15.


Os visitantes voltaram mais ligados para o segundo período. Mantendo alguns titulares em quadra, emplacaram boa sequência dentro do garrafão mogiano, onde Varejão tinha liberdade para desenvolver seu jogo, pontuando a média distância. Assim, a equipe de José Neto retomou a dianteira ainda no primeiro minuto, mantendo-se a frente até a metade da parcial.


Sentindo o momento adverso, Guerrinha trouxe seus principais jogadores, dentre eles o trio de norte-americanos, de volta a cancha. A trinca não só melhorou a consistência defensiva, como também deu uma nova cara ao ataque do time, que apresentava pouca inspiração. Essa combinação permitiu ao Mogi retomar o padrão de jogo, e com ele, se alternar na liderança do marcador com o Flamengo, que foi para os vestiários vencendo por 37 a 36, após arremesso espetacular de Marquinhos, no estouro do cronômetro.


Varejão bem que tentou, mas sozinho, pouco pode fazer para evitar a eliminação rubro-negra (Paula Reis)

O começo da etapa complementar foi bastante movimentado. Com maior movimentação de bola, os adversários encontraram espaços na defesa, sobretudo na linha dos três pontos. Emplacando quatro bolas certeiras do perímetro, o Mogi das Cruzes recuperou a liderança, embora os visitantes seguissem na cola, embalados pelos tiros de Ramon e Cubillan.


O equilíbrio visto até então foi deixado de lado pela diferença de postura dos rivais. Aguerrido e organizado, Mogi anulou completamente o Flamengo, que não conseguia sequer trocar três passes. A consistência defensiva deu tranquilidade para que alguns atletas entrassem no jogo, como Jimmy e Tyrone, que em parceria com Shamell, lideraram a corrida mogiana, que foi para o último período vencendo por 62 a 51.


Na volta para o último quarto, o Mais Querido chegou a esboçar uma reação, com algumas infiltrações, que não aconteceram na parcial anterior, trazendo a diferença para nove pontos após lances livres de Marquinhos. Mas a reação parou por aí. Logo na sequência, Caio Torres anotou cinco pontos consecutivos que devolveram a tranquilidade e a gordura no marcador ao Mogi das Cruzes.


Pressionado, o Flamengo tentou acelerar o ritmo de jogo, mas em nenhum momento chegou a ameaçar a vitória mogiana, que ficou ainda mais expressiva nos minutos finais, quando a equipe da casa evidenciou a superioridade no confronto e ao longo da série, com o triunfo e consequente classificação, 87 a 67.


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