Final do NBB reúne opostos em busca de sonho em comum

18/05/2018

 

De um lado um elenco repleto de jovens que deixaram de ser promessas, do outro, um time experiente, com grandes nomes do basquete nacional. Ambos em busca de um único objetivo, coroar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos com a conquista inédita do Novo Basquete Brasil.

 

 Juventude do Paulistano será colocada à prova da experiência mogiana (Divulgação/LNB)

 

O título não seria inédito apenas para os clubes envolvidos, mas para todos aqueles envolvidos na decisão. Apesar de serem protagonistas no basquete nacional, todos os finalistas (atletas e técnicos) ainda perseguem a conquista do NBB, tendo alguns deles batido na trave em algumas oportunidades, quando acabaram derrotados na finalíssima.

 

Um dos exemplos mais recentes é de boa parte do elenco do Paulistano. Ainda que tenha se reformulado em relação à temporada passada, quando foi superado pelo Bauru Basket, o time da capital paulista manteve a base da equipe. Um dos remanescentes, Lucas Dias, enaltece a força do adversário, mas acredita na conquista do título.

 

"Antes do início da competição a gente fez uma promessa que voltaríamos à decisão e queríamos muito isso realmente. Esperamos trazer o título desta vez. Sabemos que vai ser uma decisão muito dura, o Mogi está em uma crescente, eliminou o Flamengo, que sempre tem um grande time, mas espero que dê tudo certo. Vai ser um duelo de alto nível, sem dúvidas."

 

Os exemplos dentro do elenco mogiano são mais escassos. Isso porque a história de alguns atletas se confundem com a história recente da própria equipe, que chega à decisão da competição pela primeira vez. Quem passou mais perto de soltar o grito de campeão foi o armador Larry e o técnico Guerrinha, vice-campeões pelo Dragão.

 

Mas, sem dúvida nenhuma, o enredo mais interessante é o de Shamell. No Brasil há mais de uma década, o ala tornou-se cestinha histórico da competição, mas, apesar do desempenho individual, nunca conseguiu conduzir seus companheiros a uma final, classificação que foi obtida no último sábado, quando o jogador atingiu seu recorde de pontos em uma partida no NBB e extravasou. 

 

"Aqui é a casa do Shamell! Vocês não sabem o que eu estou sentindo! Depois de anos aqui, aos meus 37, disputar a primeira vez a final me deixa sem palavras! Isso não é para mim, é para a cidade. Mogi das Cruzes merece isso."

 

Discreto nas quartas-de-final, Shamell explodiu na semifinal e aparece como uma das principais armas do time de Guerrinha (Luis Pires/LNB)

 

As equipes apresentam outro fator comum, o estilo de jogo. Comandados por técnicos que prezam pelo sistema defensivo, Gustavinho e Guerrinha, os rivais concentram seus esforços na consistência defensiva que lhes proporcionam o jogo de transição, onde ambos direcionam o volume ofensivo para a linha dos três pontos, com destaque um pouco maior para o Paulistano.

 

Apesar das características em comum, há um aspecto que se sobrepõe e fará muita diferença na decisão, embora não seja possível dizer para qual lado. A juventude do time da capital, aliada a um plantel mais rico, permite a Gustavinho promover diversas trocas ao longo da partida, mantendo a intensidade e o equilíbrio físico de sua equipe.

 

Mas a mesma juventude que proporcionou uma campanha espetacular do Paulistano na temporada, quase o tirou da decisão. Sem tirar os méritos da reação bauruense no quinto e decisivo jogo da semifinal, a equipe tinha a classificação na mão, mas sentiu a pressão imposta pelo rival e quase viu a vaga na finalíssima escapar.

 

Com uma média de 25,6 anos, caberá aos jogadores mais experientes (Elinho, Jhonatan, Eddy e Hubner - com exceção do armador, todos estão na casa dos trinta anos) auxiliar a garotada nos momentos de instabilidade que possa vir a ocorrer na série.

 

Papel dos jogadores mais velhos foi fundamental na conquista do Campeonato Paulista, dentro do Pedrocão (William Oliveira)

 

A experiência, por sua vez, é o ponto forte do Mogi das Cruzes. Com um elenco mais enxuto do que o Paulistano, e alguns outros clubes que despontavam como candidatos ao título, o Mogi superou as adversidades na força do seu quinteto titular, extremamente calejado pela trajetória no NBB e em competições internacionais.

 

Atuando juntos há  três anos, a trinca de norte-americanos e Jimmy, que vive melhor fase de sua carreira, tem sido figurinha carimbada nas fases decisivas das principais competições, o que garante maturidade para a decisão do Novo Basquete Brasil.

 

É nesse cenário que Paulistano e Mogi das Cruzes vão se enfrentar na decisão do NBB10, em série melhor de cinco jogos, que terá início no próximo sábado, dia 19, e se estenderá, no máximo, até dia 09 de maio, data de um eventual quinto jogo.

 

Por ter melhor campanha, o Paulistano terá o direito de fazer até três partidas (jogos 2,3 e 5) com o mando de quadra. Como o Antônio Prado Jr não atende às exigências da Liga Nacional, o clube mandará os duelos no Ginásio Wlamir Marques, casa do Corinthians. Se o Mogi não terá a vantagem no mando de quadra, ao menos, poderá atuar em casa, já que o Hugão cumpre os requisitos impostos pela LNB.

 

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