Paulistano domina Mogi e conquista o título inédito do NBB

02/06/2018

O Novo Basquete Brasil tem um novo campeão. Mesmo atuando longe de seus domínios, o Paulistano se impôs dentro do Hugão, controlou e superou o Mogi das Cruzes, por 82 a 76, fechando a série decisiva em 3 a 1 e conquistando o título do NBB pela primeira vez na sua história.

 

A conquista vem para coroar o longo trabalho desenvolvido por Gustavinho à frente do clube paulista. Depois de bater na trave duas vezes, sendo derrotado para Flamengo e Bauru (na temporada passada), o comandante, enfim,  conseguiu faturar o campeonato nacional. Muito emocionado, não soube dimensionar a façanha em entrevista para o SporTV.

 

"Difícil mensurar o tamanho do titulo, são poucas equipes campeãs. Me perguntaram porque a gente merece. Todas merecem, treinam forte, trabalham, se preparam. Agora é esperar a ficha cair. Eu fico mais feliz pelas pessoas do Paulistano, pela minha família, pela torcida do Paulistano, todos aqueles que foram ao ginásio nos assistir. Fico feliz em saber que elas estão felizes hoje."

 

Título do Novo Basquete Brasil vem para premiar o ano perfeito do Paulistano (Reprodução)

 

Responsável pelo desenvolvimento de jovens valores do basquete nacional (falaremos mais disso no começo da semana), Gustavinho viu seus pupilos demonstrarem muita maturidade. Diante de um rival qualificado, soube controlar as ações durante toda a série decisiva, superando o trauma da temporada passada, quando esteve muito próxima da conquista mas tomou a virada do Bauru.

 

Um dos remanescentes da última temporada, Yago desequilibrou. Com apenas dezenove anos, conduziu à equipe com suas habituais infiltrações, decisivas na etapa complementar, quando os visitantes conseguiram desgarrar no marcador, colocando uma mãozinha no título. 

 

Alheio à toda pressão que estava inserido e tudo que dele se espera, Yago falou com tranquilidade sobre seu amadurecimento e sobre a conquista do Paulistano, clube que o projetou para o basquete nacional e internacional.

 

"Eu costumo fazer o que sei, o que me dão confiança. É isso que o Gustavo pede para eu fazer, o que os jogadores me dão liberdade. Mas isso é trabalho de um time inteiro, da comissão técnica, agora é só comemorar!"

 

Contrastando com a felicidade e juventude Yago, Larry Taylor, armador experiente, que reúne passagens por Bauru e pela seleção brasileira, não escondia a tristeza da perda do título com a derrota dentro de casa. Ainda assim, em um ato nobre, soube reconhecer a superioridade do adversário.

 

"Parabéns ao Paulistano. Chegamos na final contra eles mas eles jogaram melhores que a gente. Perdemos dois jogos em casa, deixamos tudo em quadra, lutamos até o final, tenho orgulho do time, da cidade, mas parabéns para eles."

 

O JOGO

 

O Mogi das Cruzes começou a partida impondo um ritmo avassalador. Agressivo na defesa, anulou o ataque do adversário, tendo o contragolpe a seu favor. Na transição, mesclou as infiltrações de Jimmy e Shamell, com os arremessos longos do ala norte-americano e de Fabrício, incendiando o Hugão com uma corrida de 10 a 0.

 

No entanto, o jogo mudou de figura após a saída momentânea de Fabrício, que precisou ir para os vestiários cuidar de um corte no rosto. Sem o ala-pivô, os mandantes não tiveram a mesma velocidade para realizar trocas defensivas. Se aproveitando dessa defasagem, o Paulistano usou e abusou das jogadas de pick-and-roll entre Yago e Hubner para se recuperar e buscar o empate parcial, 23 a 23.

 

 Yago desmontou a defesa mogiana com suas infiltrações (Cairo Oliveira)

 

A sequência positiva elevou os índices de confiança do time da capital. Pressionando a saída de bola, o Paulistano fez com que o Mogi cometesse erros de passe. Com a bola em mãos, o Paulistano abriu a quadra, condição fundamental para criar espaços no perímetro, onde a equipe encaçapou cinco bolas de três pontos consecutivas, colocando a diferença na casa dos dígitos duplos pela primeira vez a seu favor.

 

Mesmo sem Tyrone em quadra, por conta da terceira falta pessoal, o Mogi das Cruzes reagiu. Pressionando a linha de passe, muitas das vezes com Carioca, os donos da casa recuperaram bolas importantes. Assumindo a liderança da equipe, Jimmy puxou a produção ofensiva na reta final do primeiro tempo, que terminou com vantagem do Paulistano, que manteve a liderança graças aos arremessos de Lucas Dias, 54 a 47.

 

Os primeiros minutos da etapa complementar ficaram abaixo do nível técnico do restante não só da partida mas de toda a série. Imprimindo mais velocidade do que deveriam, os adversários abusaram da individualidade, desperdiçando lances bobos como bandejas. Quem se sobressaiu um pouco na primeira metade da parcial foram os visitantes, que colocaram a vantagem acima dos dez pontos novamente com uma sequência de 6 a 2 (você não leu errado).

 

Tentando voltar para o jogo, o Mogi das Cruzes escorava sua produção no trabalho interno de Caio Torres. Mesmo longe de ser brilhante, o pivô guardava seus pontinhos na área pintada. Mas a cada bola de segurança de Caio, Yago respondia prontamente. Com espaço para atuar no um contra um, o armador levou ampla vantagem nas infiltrações, mantendo a vantagem de sua equipe no marcador, 67 a 58.

 

Jimmy bem que tentou manter vivo na partida, mas desempenho individual não foi suficiente (Cairo Oliveira)

 

A vantagem, que já era confortável, ficou ainda mais segura no início do último período. Com a defesa funcionando muito bem, sobretudo por conta do desempenho de Nesbitt sobre Tyrone, o Paulistano teve quadra para atacar. Cadenciando o ritmo de jogo, Yago explorou a vantagem física de Lucas Dias sobre Jimmy dentro do garrafão. Em duas jogadas muito parecidas, os visitantes abriram doze pontos de frente.

 

Com os principais jogadores completamente apagados, a partida parecia resolvida. Mas Mogi não se abateu e reagiu. Liderado por Larry e Jimmy, os donos da casa emplacaram uma sequência mortal na linha dos três pontos, reduzindo a vantagem do rival a apenas um pontinho. Com o duelo se aproximando do final, a tensão tomou conta do Hugão.

 

Mostrando mais frieza nos minutos finais, o Paulistano voltou a abrir quatro pontos de diferença, jogando toda a pressão para os mogianos. Larry e Shamell bem que tentaram chamar a responsabilidade para si, mas com o armador desperdiçando arremessos e o ala cometendo violações, coube a Lucas Dias sacramentar a vitória na linha do lance livre, 82 a 76.

 

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