Que ano, Paulistano!

Perfeição, está aí uma palavra que não sai da nossa cabeça, mesmo sem termos a ideia exata do que ela representa. Ainda assim, é comum relacioná-la à um grande desempenho, uma conquista tão desejada, enfim, está intrinsecamente ligada à valores positivos, muitos deles imensuráveis.


É exatamente assim que todos se lembrarão da temporada do Paulistano. Depois de conquistar o Campeonato Paulista e abocanhar a Liga de Desenvolvimento, o time alvirrubro fechou o ano com chave de ouro, conquistando o título inédito do Novo Basquete Brasil.


Força do elenco foi fundamental para as conquistas da temporada (Fotojump/LNB)

Bem, tudo começou logo após a perda do título do NBB9, para o Bauru. Valorizados pela campanha, muitos jogadores deixaram a equipe em busca de novos projetos. Assim, diretoria e comissão técnica tiveram que agir rápido para repor as baixas, mesmo com as dificuldades financeiras e com o tempo jogando contra.


Atento ao mercado nacional e internacional, o Paulistano foi cirúrgico nas contratações, não apenas mantendo, como também reforçando, o nível da equipe com as chegadas de Elinho, Deryk Ramos, Fuller, Nesbitt e Du Sommer.


Com o elenco fechado, era hora de Gustavinho trabalhar. Intenso, o comandante fez a equipe à sua cara. A defesa agressiva, a liberdade ofensiva, sobretudo para atacar rapidamente e muita das vezes do perímetro, e a intensa troca de jogadores, chamaram a atenção rapidamente.


Jogo após jogo, o time foi se credenciando como um dos favoritos à conquista do estadual. Brigando na parte de cima da tabela desde as primeiras rodadas, comprovou o favoritismo no mata-mata, virando a semifinal diante do Mogi das Cruzes e levantando o caneco no quinto jogo contra Franca, dentro do Pedrocão.


A única lacuna que ficou pelo caminho nessa temporada mágica do Paulistano foi a Liga das Américas. Integrante do grupo mais equilibrado da primeira fase, acabou eliminado com as derrotas para o Mogi das Cruzes e para o San Lorenzo, que viriam a decidir a competição.


Comandado pela nova geração do basquete brasileiro, CAP teve aproveitamento de 80% ao longo de toda temporada, deixando adversários pelo caminho (João Pires/LNB)

A queda precoce na LDA, com a equipe tomando a virada para o Mogi nos últimos segundos, serviu como aprendizado para a campanha irretocável no Novo Basquete Brasil. Mostrando muito mais concentração dentro da partida, o Paulistano emplacou vinte e duas vitórias consecutivas, alcançando a terceira maior marca da história da competição, que lhe rendeu a vice-liderança geral da primeira fase.


Nos playoffs, o time repetiu o padrão tático e técnico, mesmo sem ter disputado as oitavas de final, que tornaram-se motivo de preocupação para os membros do G4. Entrando diretamente nas quartas, desbancou o Basquete Cearense fazendo valer toda a profundidade do seu elenco, mais completo que do Carcará.


Na semifinal reencontrou o algoz do último NBB, o Bauru Basket. Em uma série extremamente equilibrada, conseguiu se vingar do Dragão, eliminando o rival com uma vitória dramática, decidida apenas nos últimos segundos do quinto e decisivo jogo da série, disputado ao lado do seu torcedor.


Despachar o fantasma Bauru Basket foi decisivo para elevar os índices de confiança da equipe (Victor Lira/Bauru Basket)

A segurança apresentada nas fases anteriores, sobretudo diante daquele que tinha tirado o título na temporada passada, fez com que o Paulistano chegasse maduro e confiante na decisão. Esse aspecto psicológico foi fundamental no decorrer da final, quando o time se impôs, superou o Mogi e conquistou o Novo Basquete Brasil.


Agora, mais uma vez, o desafio volta a ser dos dirigentes da equipe, que precisarão se desdobrar para driblar as dificuldades financeiras e o assédio dos rivais, para manter os campeões nacionais no clube alvirrubro que, na próxima temporada, vai em busca do tão sonhado título internacional.


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