Aplicado defensivamente, Bauru domina Franca e empata série semifinal

O Bauru Basket entrou em quadra com a corda no pescoço. Vindo de quatro derrotas consecutivas, sendo a última delas no primeiro confronto da semifinal, o Dragão precisa à todo custo da vitória para empatar a série e se manter vivo na competição.


A missão, que já não era das mais fáceis, por conta do momento negativo e da qualidade do adversário, ficou ainda mais nebulosa antes da bola subir, com a confirmação das ausências de Fúlvio (edema na panturrilha) e Lucão (trauma no joelho).


Mas foi só a partida começar para ver que o Dragão tiraria os problemas de letra e voltaria a apresentar o basquete consistente que lhe colocou entre os principais favoritos ao título. Com uma defesa extremamente agressiva, principalmente sobre David Jackson, Bauru retomou a identidade que construiu enquanto equipe, como reforça Larry Taylor.


"Ontem nós conversamos. Uma coisa que não pode faltar é intensidade. Isso ficou claro no primeiro, estávamos muito relaxados. Hoje não poderia faltar isso. Desde o primeiro minuto deixamos bem claro que viemos para jogar, colocando nosso ritmo de jogo, fazendo isso muito bem nos três primeiros quartos. No último cansamos um pouco até pelo revezamento reduzido."


Larry somou 23 pontos, sendo grande parte deles na reta final da partida (Victor Lira/Bauru Basket)

A postura agressiva também foi enaltecida por Renato Scholz. Contratado às vésperas do Campeonato Paulista, o ala-pivô aproveitou a primeira oportunidade que teve como titular, com grande desempenho no segundo tempo, quando dominou os dois lados da tábua, assegurando rebotes e anotando pontos importantes para a equipe desgarrar no marcador.


"Fico feliz pra caramba, mas ainda tenho muita coisa para melhorar. No primeiro tempo eu estava afoito, nervoso, mas fico feliz não só pelo meu jogo, mas pelo jogo coletivo da coletiva. O diferencial foi a defesa, lá em Franca tomamos 107 e hoje 74. Jogamos forte desde o começo. Agora é festejar e nos preparar para o dia 06."


O clima positivo pelo lado bauruense, contrastou com a fisionomia fechada do atletas francanos após a partida, principalmente pela forma com que a equipe se portou e pela sequência dura que terá pela frente.


Dominante na quinta, Franca foi completamente envolvido pelo Bauru. Para Lucas Dias, a falta de agressividade defensiva foi preponderante para a queda de rendimento do time nessa segunda partida.


"Quando a gente marca, atacamos bem. Hoje não marcamos, não podemos tomar vinte e cinco pontos em um único quarto. No segundo e terceiro quarto nós não marcamos, deixando ele jogar do jeito que eles queriam. Quando tiramos eles da zona de conforto, quase saímos com a vitória."

Como Franca disputará, entre os dias 02 e 04 de outubro, a primeira fase da Liga Sulamericana, o terceiro e decisivo duelo entre os rivais só acontecerá no próximo sábado, dia 06. Será a oportunidade do Dragão recuperar os jogadores lesionados, enquanto os francanos poderão se beneficiar do maior ritmo de jogo, embora também possa ser influenciado pelo desgaste físico.


O JOGO

Os torcedores que se atrasaram para a partida perderam uma sequência avassaladora do Bauru Basket no minuto inicial. Precisando à todo custo da vitória, os mandantes imprimiram forte pressão na marcação, conseguindo recuperações de posse de bola, que culminaram em contragolpes rápidos, finalizados em bola de três de Enzo e bandejas de Jefferson e Renato, em uma corrida de sete a zero.


Após o tempo técnico pedido por Helinho, Franca se recuperou. Mais atento na defesa, interceptou duas troca de passes do Dragão no garrafão, equilibrando as ações em jogadas de transição puxadas por Elinho e David Jackson e concluídas por Lucas Dias. Diante da marcação mais ajustada do rival e da saída momentânea de Jefferson, os mandantes perderam volume ofensivo, mas sustentaram a dianteira através das infiltrações de Larry e Cauê, 18 a 16.


Os adversários voltaram para o segundo período com os quintetos modificados e, apesar dos elencos serem qualificados, os suplentes não estavam com a mesma inspiração e pontaria dos titulares. Mesmo com liberdade para concluir as tramas ofensivas, os atletas desperdiçaram as oportunidades, com exceção de Didi, fundamental para os visitantes passarem à frente pela primeira vez na partida.


Mas Franca mal teve tempo de comemorar a liderança. Após o retorno de Larry e Jefferson à quadra, Bauru, que defensivamente já vinha se comportando muito bem, recuperou o padrão ofensivo. A boa organização de Larry e os bloqueios de Enzo, permitiram que Jefferson atuasse no um contra um diante de Cipolini, e o ala-pivô bauruense levou a melhor em todas as disputas, tanto dentro quanto fora do garrafão, fazendo com que o Dragão abrisse nove de frente. No último segundo do primeiro tempo, David Jackson descontou para os visitantes, 33 a 27.


Com sete bolas de três, Jefferson anotou 29 pontos e foi o cestinha da partida (Victor Lira/Bauru Basket)

O Bauru Basket voltou para o segundo tempo com a mesma configuração inicial e o desempenho da equipe foi tão consistente quanto do primeiro quarto. Com uma defesa mista, os mandantes optaram por dar mais liberdade para Elinho, que do quinteto francano é o que tem menor aproveitamento, arremessar. Assim, o Dragão estancou a produção do rival, ao mesmo tempo que Renato, até então discreto, doutrinou na contra ofensiva, anotando seis pontos consecutivos que permitiram à equipe abrir treze de vantagem.


Diante da inoperância de sua equipe perante ao belo trabalho do arquirrival, Helinho tentou de tudo, desde pedido de tempo técnico até troca de jogadores, mas nada surtiu o efeito esperado. Com David Jackson bem monitorado por Enzo e Gustavo, Franca ofereceu poucas dificuldades para os donos da casa, que, por sua vez, estavam em noite inspirada, sobretudo Larry Taylor e Jefferson. Com o alienígena incisivo nas infiltrações e Je mortal no perímetro, Bauru foi para o último quarto com a vitória encaminhada, 58 a 40.


O começo do último período ficou marcado pelo número elevado de faltas, gerando reclamações das duas equipes. Com mais infrações à seu favor, bom aproveitamento na linha do lance livre e bolas precisas de Jimmy e Didi, os visitantes reduziram a desvantagem para onze e depois sete pontos, ascendendo o sinal de alerta em Demétrius, que se viu obrigado a parar o jogo duas vezes.


A resposta bauruense veio com dois arremessos de três pontos de Jefferson. Mas a tranquilidade não durou muito tempo. A crescente francana somada aos inúmeros erros da arbitragem fizeram com que os visitantes encostassem novamente. Foi então que Larry resolveu a parada. Agressivo em direção à cesta, o Alienígena pontou em bolas de segurança e na linha do lance livre, dando o triunfo ao Dragão, 80 a 74.


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