Franca vence o Paulistano e fatura Campeonato Paulista, pondo fim a um jejum de mais de uma década

11/10/2018

Pode soltar o grito, torcedor francano! Depois de mais de dez anos, o clube do interior de São Paulo voltou a conquistar um título de expressão ao superar, fora de casa, o Paulistano, pelo placar de 79 a 67, conquistando, assim, o Campeonato Paulista de 2018.

 

Muitos dos torcedores que marcaram presença na capital paulista hoje, sequer se recordam da última conquista francana. Em 2007, o time faturou o estadual ao derrotar o time de São Bernardo, por 3 a 0. Um dos principais jogadores daquela equipe, Helinho deve comemorar e muito o título dessa temporada.

 

Pressionado por conta da falta de resultados no ano anterior, começou a temporada sob desconfiança de grande parte da torcida local, que em meio a oscilação do clube na primeira fase, chegou a cobrar a mudança no comando, pedido não atendido pela diretoria, que deu voto de confiança ao treinador. 

 

A resposta veio em grande estilo. Sem muito tempo parar treinar o time, por conta das decisões do estadual e da primeira fase da Liga Sulamericana, Helinho acertou a equipe na base da conversa e em cima da materiais de jogo, corrigindo, principalmente, o posicionamento defensivo do time, antes vulnerável.

 

Um dos pontos que recebeu maior atenção foi em relação ao garrafão. Sem Hettsheimeir, lesionado, e com o prazo de inscrições encerrado, o comandante precisou organizar a movimentação de Cipolini e Lucas Dias, de modo que os jogadores, ala-pivôs de origem, não deixassem o setor sem proteção.

 

Franca cresceu de rendimento nos playoffs, demonstrando segurança defensiva e força mental (Reprodução/Franca Basquete) 

 

Ao final da partida, Helinho enalteceu o ambiente do elenco, além de demonstrar gratidão com o clube que ele possui estreita ligação.

 

"Entendo parte das críticas por causa da forma que terminamos o último NBB, mas estou com um grupo de trabalhadores super unido e com prazer de jogar um pelo outro. Último título foi em 2007, poder dar essa alegria aos meus conterrâneos não tem preço que pague."

 

Com a conquista dessa noite, Franca chega ao décimo segundo título estadual, segunda maior marca entre os clubes participantes dessa temporada, ficando atrás apenas do Corinthians, que possui quatorze conquistas.

 

O JOGO

 

O Paulistano veio para quadra com uma formação diferente da habitual e a mudança surtiu efeito. Com Antônio no lugar de Hubner, os mandantes tinham mais agilidade nas coberturas sem perder a agressividade nos rebotes, especialmente ofensivos, por onde a equipe abriu quatro a zero. Depois de precipitar alguns arremessos de fora, Franca direcionou as ações para dentro do garrafão, conseguindo o empate após infiltração de Elinho.

 

Aos poucos, os rivais foram se soltando dentro de quadra e o duelo melhorou tecnicamente, embora ainda não estivesse à altura do que se espera dos clubes. Com Leo Meindl e Lucas Dias exercendo o papel de líderes, os adversários foram trocando cestas e se alternando na dianteira do marcador, até os minutos finais do período, quando Yago e Dikembe saíram do banco e deram vantagem ao Paulistano, 20 a 13.

 

No começo do segundo período o nível técnico caiu drasticamente. Abusando da velocidade e da individualidade, os finalistas não tomaram as melhores escolhas no ataque, deixando o marcador inalterado por mais de três minutos, até Eddy meter bola da zona morta e aumentar a vantagem dos mandantes para dez pontos, obrigando Helinho a parar o jogo.

 

Após a parada, o Franca reagiu. Pressionando a saída de bola, conseguiu recuperar duas bolas na quadra de ataque, diminuindo a desvantagem para apenas quatro pontos na infiltração de Elinho e no arremesso de Jimmy. Mas nem deu tempo da equipe francana comemorar. Em pouco menos de um minuto, Yago trabalhou em parceria com Renan e devolveu a gordura ao Paulistano, que só não foi maior porque David Jackson, até então apagado, anotou pontos importantes na reta final do primeiro tempo, diminuindo o prejuízo parcial, 34 a 27.

 

Cestinha da partida com 17 pontos, Elinho foi decisivo para a recuperação francana após o intervalo (Newton Nogueira)

 

Disperso na primeira etapa, Franca voltou com outra postura para a etapa complementar. Com uma defesa agressiva e bem posicionada, principalmente em relação às dobras, a equipe visitante limitou e muito o volume ofensivo dos mandantes. Com a defesa segura, teve tranquilidade para trabalhar do outro lado da quadra, onde David Jackson brilhou, levando à equipe ao empate ainda na metade da parcial.

 

Dali, até o final da parcial, o equilíbrio prevaleceu e com destaque para um duelo particular entre dois jovens jogadores. Formados na base do Pinheiros, Georginho e Lucas Dias chamaram a responsabilidade e passaram a comandar as ações ofensivas dos seus times, com o primeiro atuando mais longe da cesta, enquanto o segundo trabalhava na área pintada. Assim, os rivais entraram no último período empatados, 47 a 47.

 

Só que a partir do último quarto, Franca se impôs. Ainda nos primeiros minutos da parcial colocou a vantagem em cinco pontos após bola de segurança de Cipolini, jogando toda a pressão para cima do Paulistano, que teve de deixar Yago no banco por conta da quarta falta individual do armador.

 

Apostando nas infiltrações, os mandantes machucaram a defesa francana, fazendo com que o time estourasse o limite da faltas coletivas rapidamente. Na linha do lance livre, o CAP desperdiçou alguns lances livres, enquanto os visitantes seguiam abrindo frente, em arremessos de longe, de Jimmy, Elinho e André Góes. Nos minutos finais, Régis colocou Yago em quadra e o armador bem que tentou comandar seus companheiros à uma reação, mas a cada jogada do atleta ou de Eddy, que também veio bem do banco, o Franca respondia prontamente, na confiança de atual campeão paulista, 77 a 69.

 

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