Com grande segundo tempo, Paulistano vence Clássico dos Jardins e ultrapassa o Pinheiros

08/11/2018

Pode não ser o clássico de maior apelo do Novo Basquete Brasil, mas quando Pinheiros e Paulistano se enfrentam, é sinônimo de grande jogo. Nessa terça-feira não foi diferente. Mesmo atuando fora de casa, o CAP desbancou o Pinheiros, vencendo o duelo por 82 a 71 e, de quebra, ultrapassando o rival na tabela de classificação.

 

A vitória dos atuais campeões brasileiros se deve ao grande segundo tempo da equipe. Apesar de ter liderado o primeiro quarto, o Paulistano acelerava demais o ritmo de jogo e tomava decisões equivocadas no ataque, permitindo a reação do time pinheirense no segundo período.

 

Depois do intervalo, o time manteve a velocidade, mas passou a trabalhar de maneira mais agressiva, conseguindo rebotes importantes que lhe proporcionaram mais volume de jogo. Espaçando bem a quadra, obteve um melhor aproveitamento nos arremessos de fora, retomando as rédeas da partida.

 

Cestinha da partida ao lado de Dawkins e Betinho, Yago foi decisivo para o triunfo dos visitantes. Na reta final da partida, o armador, que vinha distribuindo mais as ações, assumiu a responsabilidade e emplacou seis pontos consecutivos, evitando nova recuperação do Pinheiros. Ao final do jogo, comentou sobre essa nova característica.

 

"Eu venho fazendo um papel que o Régis tem me cobrado bastante. Pela qualidade dos meus companheiros e pela falta de um armador, eu tenho atuado mais como assistente, mas nas duas últimas posses de bola eu fui feliz e conseguimos sair com uma grande vitória que vai fazer bem para a gente."

 

Yago foi fundamental para o Paulistano, que igualou o retrospecto geral do clássico, com doze vitórias para cada lado no NBB (Reprodução/NBB) 

 

A organização de jogo que sobrou ao Paulistano na etapa complementar, faltou ao Pinheiros. Sem conseguir envolver a defesa adversária, o time da casa dependeu muito das jogadas individuais de seus principais jogadores no segundo tempo. Mas, para Betinho, não foi somente isso que faltou à equipe.

 

"Eles não estavam se sentindo cômodos, mas voltaram muito bem do intervalo, matando bola e encostando no marcador logo de cara. Nossa defesa falhou muito, tomamos 51 pontos e não podemos achar que isso é normal."

 

Com a vitória dessa noite, o Paulistano troca de lugar com o arquirrival na tabela de classificação, saltando da quinta para a terceira colocação, antes ocupada pelos comandados de César Guidetti, que agora deixam o G4 da competição.

 

O JOGO

 

O clássico paulista começou em ritmo intenso. Imprimindo muita velocidade, os rivais procuraram agredir a defesa adversária explorando a infiltração dos seus armadores em parceria com os pivôs, o que deixou a briga no garrafão acirrada. Levando a melhor na disputa pelos rebotes, os ataques machucaram a defesa em bolas de segunda oportunidade e também na linha do lance livre, em cinco minutos de muito equilíbrio.

 

Com mais velocidade na troca de passes, o Paulistano conseguiu causar desequilíbrio na defesa do Pinheiros, criando e aproveitando os espaços mais próximos da cesta, com Eddy e Du Sommer, para comandar as ações a partir da metade do primeiro quarto. Mas, já no final do período, a marcação pinheirense sustentou duas investidas dos visitantes e o time, na saída em velocidade com Gabriel e Isaac e na infiltração de Ware, foi buscar o empate, 15 a 15.

 

Por mais que a posse de bola passasse na mão de todos os atletas em quadra, dois deles roubaram as atenções no começo do segundo período. Em pouco menos de um minuto, Renan anotou cinco pontos consecutivos, em arremesso do perímetro e bandeja, se aproveitando do erro na saída de bola dos mandantes. A resposta dos donos da casa veio na individualidade de Betinho. Vindo do banco, o ala aproveitou os espaços criados por Ruivo e, com liberdade, também anotou cinco pontos, equilibrando a parcial.

 

Atento nas trocas defensivas e agressivo na briga pelos rebotes, o Pinheiros teve muito mais volume de jogo do que o rival. Apesar de ter desperdiçado boas oportunidades no perímetro, com apenas uma bola certeira em nove tentativas, os comandados de César Guidetti assumiram o controle do jogo nas bolas de segurança de Isaac e nos lance livres de Dawkins, indo para os vestiários vencendo o Paulistano por 36 a 31.

 

Derby foi de muito contato físico, gerando inúmeras oportunidades para os times na linha do lance livre (Reprodução/Pinheiros) 

 

Se no primeiro tempo as bolas de fora teimaram em não cair, no começo da etapa complementar foi uma chuva de arremessos de três pontos. Com quatro bolas para cada lado, sendo três delas convertidas apenas por Guilherme Hubner, dos visitantes, os adversários protagonizaram cinco minutos de basquete de alto nível técnico e de muito equilíbrio.

 

Para conter o volume do adversário no perímetro, os times intensificaram a marcação, pressionando o homem da bola. Essa mudança diminuiu a produção ofensiva dos rivais por alguns minutos, mas nos instantes finais, o Paulistano converteu um ataque de sete pontos (arremesso de Roquemore e mais quatro pontos consecutivos de Antônio, que sofreu falta antidesportiva), fechando o período na frente, 59 a 57.

 

Os sistemas defensivos mantiveram o nível de concentração no começo do último quarto. Bem posicionados, sustentaram duas investidas dos ataques, que, sem opções, cometeram o estouro dos vinte e quatro segundos. Se aproveitando do acúmulo de faltas pessoais dos defensores do Paulistano, Ruivo e Betinho, em jogadas individuais, devolveram a liderança ao Pinheiros. Mas não demorou para os visitantes retomarem a dianteira. Com boa visão de jogo de Yago e rebote ofensivo de Hubner, os pupilos de Régis Marrelli voltaram a liderar o duelo.

 

Atrás no marcador, o time pinheirense foi para o tudo ou nada. Acelerando as ações, Dawkins e Bennett até conseguiram pontuar, diminuindo a desvantagem para apenas um ponto. Só que o time da casa nada pôde fazer para conter o brilho de Yago. O armador, que vinha se destacando pelas assistências, chamou a responsabilidade e liquidou a partida em arremesso de fora, seguido de infiltração que lhe rendeu a cesta e um lance de bonificação, 82 a 71.

 

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