Bauru atropela Minas e avança às quartas de final do NBB

09/04/2019

Playoffs por si só reservam confrontos equilibrados, de muita entrega, equilíbrio e tensão. Quando se trata do terceiro e decisivo confronto entres duas equipes que tiveram a mesma campanha na temporada regular, então, potencializa os ingredientes, certo?

 

Errado. No tira-teima entre Bauru Basket e Minas Tênis Clube, disputado nessa segunda-feira, no Ginásio Panela de Pressão, o que se viu foi um verdadeiro show dos donos da casa, com um triunfo incontestável, por sonoros 85 a 64.

 

O resultado foi construído pela postura defensiva extremamente agressiva da equipe bauruense em cima de Leandrinho. Responsável por organizar o time minastenista na ausência de Gegê, o ala da Seleção Brasileira foi vigiado de perto por Larry Taylor, Alex Garcia e companhia, em um sistema que muitas vezes dobrou a marcação para tirar a linha de passe do camisa 91.

 

A marcação funcionou tão bem que o atleta, que teve médias de quinze pontos nos dois primeiros jogos da série, ficou restrito a nove tentos, com aproveitamento de apenas 26,5% nos arremessos.

 

Mas não é apenas a defesa que merece créditos nessa noite. Diante dos problemas enfrentados no último compromisso, Demétrius apostou em uma formação com dois armadores e a estratégia funcionou muito bem.

 

Com Larry Taylor à seu lado, Fúlvio soltou mais a posse de bola, dando dinamismo ao ataque bauruense. Com trocas de passe rápidas, o armador colocou o próprio Alienígena, Jefferson e Lucas Mariano em boas condições para atuar no um contra um, tirando proveito da qualidade técnica que possuem, para machucar o adversário.

 

Com 24 pontos pontos e quatro assistências, Larry desequilibrou o duelo (Victor Lira/Bauru Basket)  

 

A atuação impiedosa reaproximou time e torcida, sintonia que ficou comprometida com o desempenho irregular ao longo da temporada. Essa reaproximação será fundamental para o clube nas quartas de final, já que terá pela frente o clássico nacional contra Franca, primeiro colocado na fase de classificação.

 

Ao final do confronto, Lucas Mariano, jogador mais eficiente da partida, comemorou a reaproximação da torcida e o impacto que ela trouxe para a confiança dos jogadores dentro de quadra.

 

"A atmosfera foi maravilhosa. Assim que caiu a primeira bola, a segunda, a torcida veio junto e isso faz a diferença. Daqui para frente só teremos jogos duros, então é treinar ainda mais para ajudar a equipe à buscar a classificação para as semifinais."

 

Por outro lado, a derrota escancarou o ambiente conturbado que assola o time minastenista. Ao final da partida, Flávio Espiga e Sam Daniel se desentenderam e tiveram de ser contidos por Leandrinho para não chegarem às vias de fato.

 

Já com a cabeça mais fria, o comandante do Minas falou sobre o assunto e a eliminação de sua equipe.

 

"Tivemos uma campanha irregular, com muitos altos e baixos. Nós não acertamos nas contratações dos estrangeiros, que tiveram falta de profissionalismo e isso tudo atrapalhou. Mas, apesar de tudo isso, fico orgulhoso porque a maioria dos jogadores tiveram ombridade."

 

Por conta de tudo isso que foi externado por Espiga, espera-se que a reformulação seja grande pelo lado de Belo Horizonte.

 

O JOGO

 

O Bauru Basket veio para quadra com dois armadores. A escolha de Demétrius foi uma clara – e certeira - tentativa de sanar os problemas de criação no confronto de sábado. Mas além do maior dinamismo na construção de jogo, o Dragão teve um desempenho defensivo irretocável.

 

Vigiando Leandrinho de perto, com direito a inúmeras dobras, os mandantes estancaram a produção do adversário e o castigaram através dos contragolpes, com Lucas Mariano dominando a área pintada e Larry aparecendo nas costas da defesa adversária, fechando o período com sonoros 24 a 15.

 

No começo do segundo quarto, o Minas teve mais velocidade na troca de passes e chegou a esboçar uma reação, após dois arremessos de três pontos de Coleman. Apesar da sequência do ala, a equipe minastenista esteve longe de assustar os donos da casa.

 

Mantendo a agressividade defensiva, Bauru seguiu recuperando posses de bola e garantindo rebotes defensivos, fundamentais para atuar na transição. Sob regência de Larry Taylor, os paulistas emplacaram quatro arremessos do perímetro, sendo dois de Lucão e um do alienígena, 50 a 34.

 

Vendo a partida fugir do seu alcance, Flávio Espiga modificou a configuração de sua equipe. Diante da noite discreta de Leozão, o comandante apostou na mobilidade da dupla formada por Paranhos e Wesley. Por alguns minutos, o camisa 24 levou vantagem no duelo com Lucão, cortando a diferença para “apenas” dez pontos.

 

Mas não demorou muito para o Dragão acertar o posicionamento defensivo, cortando a linha de passe e neutralizando o trabalho do ala-pivô. Seguro na defesa, teve mais tranquilidade para construir as tramas ofensivas, se beneficiando das infiltrações de Larry e arremessos de média e longa distância de Jefferson, praticamente liquidando a partida Ainda no terceiro quarto, 64 a 47.

 

Embora o último período tenha sido meramente burocrático, reservou alguns lances emblemáticos para os torcedores bauruenses. A começar com o show individual de Larry Taylor, mortal nas infiltrações em velocidade para cima de Lucas e Leozão.

 

Aos poucos, foram acontecendo algumas trocas nas duas equipes e mesmo com os titulares de fora de quadra e jogadores da segunda unidade na cancha, a torcida local não perdoou Leandrinho por sua saída conturbado do clube. Em meio à vaias e cânticos direcionadas ao ala, o Dragão confirmou o triunfo por 85 a 64.

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