Franca varre o Bauru e avança às semifinais do NBB

25/04/2019

Déjà vu: Expressão francesa para descrever momentos que as pessoas tem a nítida impressão de já terem vivenciado determinadas experiências. Nenhuma outra expressão pode explicar melhor a vitória do Franca sobre o Bauru Basket, por 90 a 68, que consumou a classificação dos comandados de Helinho, por sonoros 3 a 0.

 

Diferentemente do que o placar aponta, a partida, assim como as duas primeiras da série, foi marcada pelo equilíbrio e pelas diversas alternativas que a história do confronto proporcionou aos adversários.

 

Mais uma vez, Franca contou com a maior profundidade do seu elenco e com o maior equilíbrio mental, para manter a consistência durante os quarenta minutos do confronto, algo que faltou ao Dragão, especialmente no último quarto, quando o time se perdeu completamente, se tornando presa fácil para os donos da casa.

 

Dessa vez, quem brilhou vindo do banco de reservas foi Alexey. Formado na base do clube, o camisa 4 entrou na vaga de Elinho, que estava sendo anulado pela defesa bauruense e explorado pelos pivôs adversários, razão pela qual acumulou três faltas, ficando "pendurado" ainda no terceiro período.

 

Tirando proveito da juventude, Alexey levou ampla vantagem no confronto particular com Fúlvio, desestruturando a marcação bauruense com arremessos de três pontos e passes precisos para seus companheiros, em uma atuação irretocável, que beirou o duplo-duplo.

 

Armador contribuiu com doze pontos e sete assistências (Newton Nogueira) 

 

Por meio da assessoria da imprensa do clube, o atleta francano comemorou a classificação à semifinal, sobretudo pela maneira com que ela foi construída, diante do arquirrival, que, dentro de suas possibilidades, fez uma série duríssima, como fez questão de ressaltar.

 

"Mostramos a força do nosso coletivo. Apesar da diferença nos placares dos três jogos, foi uma série difícil. Bauru é uma equipe muito forte e experiente. Nosso elenco foi consistente, jogou com muita intensidade e conseguiu a classificação para a próxima etapa."

 

Um dos mais beneficiados pela visão de jogo do armador foi o ala-pivô Lucas Dias. Principal jogador da equipe ao longo de toda a temporada, voltou a dominar a tábua, especialmente quando foi vigiado por Jefferson William, que não tem a mesma mobilidade do que o jovem jogador francano.

 

Diante de tantos aspectos positivos dos donos da casa, Bauru só conseguiu manter o equilíbrio da partida durante os três primeiros períodos por conta da cadência dos armadores e da imposição física de Lucas Mariano, que contribuiu dos dois lados da quadra, protegendo o aro e desafogando o ataque do Dragão.

 

Em função da atuação discreta de Alex, Enzo e Jefferson, o Dragão teve um desempenho pífio no perímetro (29% de aproveitamento), se tornando muito previsível para a marcação adversária. Fazendo a leitura correta, Franca dobrou a marcação em cima do pivô bauruense, anulando o trabalho de pick-and-roll que vinha funcionando muito bem.

 

Dessa maneira, os donos da casa deslancharam no marcador, confirmando a classificação às semifinais do Novo Basquete Brasil, onde terá pela frente mais um clássico, agora diante do Mogi das Cruzes, que nas quartas de final despachou o Basquete Cearense pelos mesmos 3 a 0. 

 

Por ter feito a melhor campanha dentre todos os clubes, os francanos terão o direito de fazer, se necessário, três jogos dentro do Pedrocão. No entanto, o primeiro embate da série será disputado no Ginásio Hugo Ramos, em data a ser definida pela Liga Nacional de Basquete.

 

Com a derrota, Bauru se despede da competição com sua pior participação nos últimos sete anos. Por conta desse desempenho, espera-se que a reformulação na equipe seja profunda. Do elenco atual, apenas Larry Taylor, Samuel Pará (base), Emanuel (base), Gabriel Jaú e Demétrius tem contrato por mais uma temporada.

 

Sem saber se continua ou não na equipe, Lucas Mariano deixou a quadra consciente do que faltou ao time para evitar a eliminação precoce. Através da assessoria do time, pregou que a falta de consistência foi preponderante para a derrota e consequente eliminação.

 

"Franca tem um potencial ofensivo muito grande e mostraram isso durante todo o campeonato. Viemos tentando tirar esse volume de jogo deles. Conseguimos isso em alguns momentos, mas depois cometemos alguns erros que nos custaram o jogo. Nossa temporada foi difícil, tivemos muitas lesões e quando conseguimos nos entrosar, demos o nosso máximo. Mas fica o nosso sentimento de chateação de não termos avançado mais."

 

O JOGO

 

Desde os primeiros minutos, Franca e Bauru fizeram um clássico equilibrado. Com jogadores qualificados e de características parecidas, os adversários trataram de utilizar os pivôs para criar situações de miss match. Com mobilidade, Lucas Dias e Alex puxaram a pontuação de suas equipes, em cinco minutos de intensa troca de cestas e alternância na liderança.

 

Com mais intensidade, Lucas Mariano anulou o ala-pivô francano, dando a sustentação defensiva necessária para o Dragão trabalhar do outro lado da quadra. De maneira cadenciada, os visitantes chegaram a abrir sete pontos de vantagem após boa sequência de Gustavo. No entanto, o time bauruense se descuidou no minuto final e permitiu que o rival encostasse no marcador, em arremessos de Jimmy e Hettsheimeir, 23 a 22.

 

No começo do segundo quarto, os times tiveram certa dificuldade para pontuar, ficando reféns do trabalho individual de dois jogadores que vieram bem do banco de reservas. Enquanto Hettsheimeir abusava do trabalho de pernas, Fúlvio se beneficiava dos arremessos da cabeça do garrafão para manter o clube da Cidade Sem Limites em vantagem.

 

Aos poucos, os donos da casa conseguiram anular a movimentação ofensiva do adversário, interceptando passes direcionados para Jefferson e Lucas Mariano. No contragolpe, soube aproveitar a superioridade numérica, assumindo a liderança da partida através das infiltrações de Didi e dos rebotes ofensivos de Lucas Dias, 42 a 36.

 

Na briga por espaços dentro do garrafão, Lucão levou ampla vantagem sobre os pivôs francanos, terminando a partida com doze pontos e seis rebotes (Victor Lira/Bauru Basket)

 

O Bauru Basket voltou melhor para o segundo tempo. Disposto a conter o ímpeto francano, intensificou a marcação e mesmo estourando o limite de faltas coletivas ainda nos primeiros minutos, conseguiu reduzir a desvantagem no marcador através do trabalho de pick-and-roll entre Fúlvio e Lucas Mariano.

 

Com dificuldades para romper o sistema defensivo dos visitantes, Franca só conseguiu conter a reação adversária apenas no minuto final da parcial, quando Alexey tirou proveito da juventude para levar a melhor no confronto contra Fúlvio, anotando cinco pontos consecutivos que deram fôlego aos donos da casa, 65 a 57.

 

Assim como nos dois primeiros jogos da série, todo o trabalho feito pelo Dragão foi por água abaixo com o péssimo início do último quarto. Com três desperdícios de posse de bola, de maneira bem infantil, os visitantes deram o contragolpe fácil ao adversário que, sem maiores dificuldades, colocou, pela primeira vez na partida, a diferença na casa dos quinze pontos.

 

Dali em diante, o equilíbrio que marcou não apenas a partida, mas toda a série, deu lugar ao domínio francano. Com mais equilíbrio mental, não deu a menor chance do arquirrival se recuperar. Muito pelo contrário, Franca não tomou conhecimento do adversário, vencendo por sonoros 90 a 68.

 

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