De maneira heroica, Botafogo vira sobre o Pinheiros e avança à semi

01/05/2019

A terça-feira que antecedeu o feriado em comemoração ao dia do trabalhador foi mágica para o Botafogo. Em sua segunda temporada na elite do basquete nacional, o clube de General Severiano conseguiu quebrar todos os prognósticos e se classificar à semifinal do Novo Basquete Brasil.

 

A classificação veio para premiar um projeto sólido, de um clube que trabalha com os pés no chão, ciente da sua realidade financeira. Essa sobriedade, aliada ao bom trabalho de prospecção na montagem do elenco, permitiu que os jogadores tivessem tranquilidade para trabalhar.

 

Por mais que conte com atletas qualificados e versáteis, e um comandante competente, o Fogão teve uma temporada marcada por altos e baixos, fruto do número alto de lesões e da falta de entrosamento, problema natural para um plantel remodelado de uma temporada para a outra.

 

Ainda assim, os botafoguenses não se abalaram no meio da caminhada, assim como aconteceu na série de quartas de final contra o Pinheiros. Depois de sair na frente, o alvinegro sofreu a virada mas não se deu por vencido, buscando a classificação de maneira heroica.

 

Isso porque o clube ignorou a pressão da torcida adversária, que lotou o Ginásio Henrique Villaboim, e o fato de ficar atrás no marcador durante praticamente toda a partida. Com muita personalidade e influência determinante de Léo Figueiró, o Botafogo consumou a virada, calando a torcida local.

 

Comandante alvinegro soube extrair o melhor de cada peça que tinha à disposição (Lucas Guanaes/Locomotiva Esportiva)

 

Todos os elementos mencionados acima já falariam por si só, mas o fato do triunfo acontecer sobre o Pinheiros valoriza ainda mais o trabalho desenvolvido por todo o elenco e comissão técnica dos cariocas.

 

A equipe da capital paulista foi uma das três melhores ao longo da temporada regular, chegando a liderar o campeonato por algumas rodadas, quando o time emplacou treze vitórias consecutivas, recorde da franquia na história da competição.

 

A campanha sólida rendeu a classificação antecipada às quartas de final ao clube paulista e, como já vimos em edições anteriores da competição, a pausa de cerca de quinze dias não fez bem aos pupilos de César Guidetti.

 

A equipe perdeu o ritmo de jogo e isso ficou bem claro contra os botafoguenses. Por mais que tivesse mais descansado, não conseguiu ter a mesma dinâmica da temporada regular, individualizado as ações no ataque, o que comprometeu a participação do clube na pós temporada.

 

Além disso, nessa terça-feira, César Guidetti acabou tomando um nó tático de Léo Figueiró. Por mais que os donos da casa tivessem o controle de jogo, Léo sempre encontrava um antídoto para manter o Botafogo vivo na partida.

 

Nos minutos finais, passou a tranquilidade necessária para seus principais atletas recuperarem a confiança, consumando a virada; enquanto o comandante pinheirense acabou fazendo escolhas erradas, como por exemplo, deixar Isaac no banco de reservas nos momentos decisivos do embate.

 

Apesar do erro, Cesinha merece créditos pela reformulação que fez na equipe, abrindo mão de um atleta extremamente valioso (Holloway) para ter um elenco competitivo, que elevou o patamar do clube perante aos concorrentes, se tornando um dos favoritos ao título nacional.

 

Classificado às semifinais, o Botafogo tenta agora desbancar mais um favorito a levantar o caneco. No entanto, o adversário da vez exigirá bem mais dos alvinegros, já que o Flamengo possui um elenco ainda mais profundo e lidou melhor com o período que teve de treinamentos.

 

O JOGO

 

Desde os primeiros minutos, o Botafogo deu pistas que não iria se desconcentrar com o fato de atuar fora de casa. Com muita intensidade defensiva e artilharia pesada de Jamaal nas bolas de três pontos, o alvinegro comando o marcador nos minutos iniciais.

 

Aos poucos, o Pinheiros foi acertando a marcação em cima do armador adversário, tendo oportunidade de contra-atacar. Com a bola em mãos, contou com o brilho individual de Betinho e suporte de Bennett para assumir a liderança da partida, fechando o período em vantagem, 22 a 20.

 

No começo do segundo quarto os times intensificaram ainda mais a marcação dentro da área pintada, contendo as infiltrações do adversário e o trabalho de pernas dos pivôs. Dessa maneira, os primeiros minutos do período ficaram marcados pela intensa briga pelos rebotes. Bem posicionado, Toledo capturou sobras importantes, dando oportunidade dos donos da casa pegarem a defesa botafoguense desprotegida no perímetro, onde Isaac foi preciso.

 

Após a entrada de Maique, o Fogão conseguiu equilibrar a disputa pelos rebotes, diminuindo o volume ofensivo dos paulistas e ganhando a oportunidade de contragolpear, pontuando através das jogadas individuais de Jamaal e Cauê. A reação só não se concretizou porque Isaac seguiu machucando a defesa adversária, conduzindo o time pinheirense ao triunfo parcial com arremessos de fora e enterrada, 38 a 34.

 

Depois da confusão que aconteceu após o final do último jogo, Jamaal teve cabeça fria para se concentrar apenas no jogo, terminando como cestinha, com 21 pontos (Lucas Guanaes/Locomotiva Esportiva)

 

Diante da melhora defensiva protagonizada na reta final da primeira etapa, o Botafogo voltou com a mesma configuração. Mas, dessa vez, não surtiu o efeito esperado. Depois de um primeiro tempo discreto por conta do acúmulo de faltas, Renato voltou à quadra e levou ampla vantagem no confronto particular com Maique, convertendo dois tiros do perímetro, fundamentais para que o Pinheiros colocasse a vantagem na casa dos dígitos duplos.

 

A solução encontrada por Léo Figueiro foi inverter o posicionamento de sua dupla de pivôs, deslocando Arthur para a posição de número 4. Retornando à sua posição de origem, Arthur ajudou a equipe visitante melhorou a marcação na linha de três pontos. No entanto, a equipe alvinegra não teve a tranquilidade do outro lado da quadra, desperdiçando inúmeros lances livres e bolas de segurança, 61 a 53.

 

O equilíbrio voltou a dar as caras no começo do último quarto. Mantendo a agressividade defensiva mas trabalhando a bola de maneira mais efetiva no ataque, os cariocas conseguiram cortar a desvantagem para apenas três pontos de diferença após grande sequência de Diego na área pintada.

 

Dali em diante, os adversários utilizaram estratégias diferentes mas ambas funcionaram muito bem. Enquanto os donos da casa buscavam as bolas de segurança, os visitantes encontraram força nos arremessos de três pontos, principalmente através de jogadores que não estavam bem na partida. O crescimento de produção de Coelho e Cauê foi determinante para o triunfo botafoguense, 82 a 78.

 

 

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