Hexacampeonato ratifica trabalho de reconstrução do Flamengo

10/06/2019

Para compreender a principal virtude da conquista do hexacampeonato do Flamengo, é preciso voltar no tempo. Acostumado a disputar finais e empilhar troféus, o time rubronegro passou por um período conturbado, em que acumulou eliminações consecutivas dentro de casa em competições nacionais e internacionais.

 

Para retomar o caminho das vitórias, a diretoria decidiu reformular a comissão técnica, não renovando o contrato do multicampeão José Neto. Por mais que o novo comandante tivesse liberdade para montar o elenco, trabalhando com um orçamento alto, algo que todos os profissionais sonham em ter à disposição, assumir o posto significaria trabalhar sobre pressão.

 

Flamengo faturou os três títulos que disputou na temporada: Campeonato Carioca, Super8 e NBB (FotoJump/LNB)

 

Nem todos os treinadores teriam a personalidade para aceitar o desafio, ainda mais na situação que Gustavo de Conti se encontrava. À frente do comando técnico do Paulistano há oito anos, Gustavinho havia implementado uma filosofia inovadora na equipe, dando espaços para os jovens, pilares da equipe na campanha dos títulos do Campeonato Paulista e do Novo Basquete Brasil.

 

Trocar o trabalho estável, duradouro e vencedor por um novo projeto, com responsabilidades muito maiores do que ele já havia vivenciado em sua experiência como treinador, foi uma demonstração de insaciedade de Gustavinho, como ele mesmo declarou na sua chegada ao Mais Querido.

 

"Pra falar a verdade, eu já queria há bastante tempo um desafio diferente para minha carreira. Pra minha sorte apareceu essa oportunidade no Flamengo. Agora posso juntar as duas coisas: a potência que é o Flamengo no basquete e minha vontade de estar numa equipe desse tamanho, com a potência da torcida, a pressão."

 

Uma de suas primeiras ações como novo comandante rubronegro, juntamente com a diretoria do clube, foi trabalhar na montagem do elenco, garantindo a manutenção dos líderes da equipe, sobretudo da dupla composta por Marquinhos e Olivinha, e concretizando a chegada de atletas de confiança de Gustavinho.

 

Marquinhos e Olivinha foram fundamentais nos jogos da finalíssima (FotoJump/LNB)

 

Evidentemente que as mudanças estruturais e no elenco da equipe, impactaram o início de temporada do time, onde os resultados foram mais convincentes do que a apresentação. Aos poucos, o técnico ajustou alguns pontos importantes no sistema de jogo da equipe, dando mais responsabilidade ao armador Franco Balbi.

 

Mas foi durante a semana livre que o time teve para trabalhar durante a disputa das oitavas de final, que a equipe encaixou de vez. Discretos ao longo da temporada regular, os suplentes da equipe compreenderam a função que tinham dentro do plano de jogo implementado por Gustavinho, se tornando mais agressivos dentro de quadra.

 

Ainda que os jogadores mais experientes tenham sido os protagonistas da conquista do sétimo título nacional, o sexto sob chancela da Liga Nacional de Basquete, os bancários tiveram papel importante nos jogos decisivos, com destaque para a contribuição defensiva de Crescenzi, Jhonatan e Nesbitt.

 

Tamanho equilíbrio veio para coroar um trabalho ousado e paciente, de quem batalhou a temporada toda para retomar o posto de campeão nacional.

 

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