Brasil é dominado pelos tchecos e fica em situação delicada no Mundial

07/09/2019

Uma atuação para se esquecer. Depois de uma primeira fase irretocável, com direito a vitória memorável sobre a Grécia e liderança do Grupo F, o Brasil perdeu para a República Tcheca, por 93 a 71, e ficou em uma situação delicada na Copa do Mundo de Basquete.

 

Diante dos tchecos, a Seleção Brasileira não apresentou o mesmo nível de basquete das partidas anteriores. Muito pelo contrário. Com uma defesa desatenta e pouco combativa, ofereceu pouca resistência ao oponente, que também fez uma excelente partida.

 

Liderada por Satoransky, a República Tcheca deu uma verdadeira aula de basquete. Com discernimento para saber o momento certo de acelerar ou cadenciar as ações ofensivas, o armador do Chicago Bulls foi o motorzinho dos tchecos e o grande carrasco brasileiro.

 

Além de auxiliar na construção de jogo, envolvendo principalmente os homens de garrafão, onde o time teve 64% de aproveitamento nos arremessos (28/44), Satoransky ainda contabilizou 20 pontos e capturou 07 rebotes, se aproximando de um triplo-duplo, em uma atuação de gala.

 

Satoransky teve a melhor atuação individual até o momento nessa Copa do Mundo de Basquete (FIBA)

 

Enquanto o jogador brilhava, fazendo o jogo de sua equipe fluir com naturalidade, o Brasil tinha muita dificuldade para trocar passes e ser efetivo no ataque. Na tentativa de mudar o panorama do confronto, Petrovic testou diferentes formações, algumas, inclusive, pouco utilizadas nesse Mundial.

 

Mas nenhum quinteto apresentou um balanço interessante. Enquanto os titulares apresentavam pouca inspiração ofensiva, os reservas tinham dificuldades de conter o ímpeto adversário, ficando apenas trocando cestas, algo que, aquela altura, não favorecia a Seleção Brasileira.

 

Com o resultado negativo, o Brasil fica em uma situação extremamente delicada na competição. Com três vitórias e uma derrota, a Seleção Brasileira ocupa a terceira colocação do Grupo K, atrás de Estados Unidos e da própria República Tcheca.

 

Para seguir com chances de classificação às quartas de final, os pupilos de Petrovic não dependem apenas de suas próprias forças. Além de precisar obrigatoriamente derrotar os Estados Unidos, ainda precisa de uma combinação de resultados para seguir vivo na competição.

 

Como os norte-americanos superaram a Grécia, o Brasil pode se classificar com uma vitória simples sobre os Estados Unidos, desde que os gregos derrotem a República Tcheca. Caso os tchecos superem o esquadrão grego, a Seleção Brasileira só se classificaria se vencesse os norte-americanos por 23 pontos de diferença.

 

O JOGO

 

A República Tcheca se sobressaiu nos primeiros minutos de partida. Com muita organização, característica fundamental das equipes europeias, trabalhou de maneira cadenciada, buscando as bolas de segurança, com destaque para a grande distribuição no volume de jogo, onde cada atleta contribuiu com dois pontos, o que facilitou na construção ofensiva.

 

Aos poucos, a Seleção Brasileira foi se encontrando dentro de quadra. Com pouco espaço na área pintada, já que o adversário possui uma média maior de altura, o Brasil trabalhou um pouco mais distante da cesta, com Alex sendo o principal jogador da equipe. Apesar do desempenho positivo do Brabo, Satoransky e Balvin garantiram a manutenção da liderança para os tchecos, 20 a 16.

 

No começo do segundo período, o técnico Petrovic promoveu algumas trocas no time brasileiro. Repetindo o nível de atuação que teve no confronto contra Montenegro, Huertas melhorou a movimentação ofensiva da equipe. Explorando as jogadas de pick-and-roll, com bloqueios realizados por Felício, o armador deixou Leandrinho e Marquinhos em boas condições para pontuar. Mas a reação brasileira parou por aí.

 

Com falhas de comunicação na defesa, a Seleção Brasileira permitiu cestas fáceis do oponente. Além das infiltrações realizadas por Satoransky e Auda, a República Tcheca melhorou o desempenho nas bolas de três pontos. Com arremessos precisos de Hruban e Schilb, o adversário desgarrou no marcador, indo para os vestiários com uma vantagem de treze pontos, 45 a 32.

 

Balvin tomou conta do garrafão, anotando 15 pontos e capturando 11 rebotes (FIBA) 

 

O Brasil voltou ainda mais desatento para o segundo tempo. Com pouca leitura e agressividade defensiva, a Seleção Brasileira seguiu tomando passes nas costas, conhecido como back door. Além de deixar Bohacik e Kriz numa boa, Satoransky ainda converteu um arremesso da zona morta, colocando a diferença na casa dos vinte pontos.

 

Incomodado com o rendimento de sua equipe, Petrovic mudou praticamente todos os jogadores, apostando em uma formação repleta de jogadores com características ofensivas. Apesar de Benite ter desafogado o ataque brasileiro, o time não teve regularidade na frente e, muito menos, equilíbrio defensivo. Com cortes rápidos em direção à cesta, os tchecos foram para o último quarto vencendo por 65 a 46.

 

A maneira como a Seleção Brasileira terminou o período anterior mexeu com a confiança dos jogadores. Fora de sua zona de conforto, os atletas estavam visivelmente nervosos e sem inspiração ofensiva, facilitando a marcação tcheca, que já vinha se mostrando extremamente eficiente.

 

Ciente da possibilidade de um tríplice empate, os europeus não tiraram o pé. Imprimindo grande velocidade na transição, Satoransky explorou o melhor de cada companheiro, distribuindo o volume de jogo entre as bolas de segurança de Balvin e Auda e os arremessos longos de Peterka e Prumpla. Nos minutos finais, o Brasil ainda conseguiu diminuir um pouco a diferença, que chegou a vinte e nove pontos, 93 a 71.

 

Please reload

Postagens Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags